sexta-feira, 18 de agosto de 2017

The place with two lagoons

People ask me if I have ever found love;
I say to them that's not important.
They ask me if it wouldn't make me happy;
I say that I'm not that constant.

But when I go to the place with two lagoons
And I see those calm waters
My memory stops by those past moments
That showed me how love matters.

Sitting at the place with two lagoons
My heart turns so brightly blue.
Seeing the mirrored sky shows me
That it was love and it was true.

But today people ask me if it was worth it
And with a shut mouth I respond.
They're not so silly after all
Because they know there was no bond.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Teresa

Nos anos 60 estava Teresa
Junta ao balcão fumando
E seu marido esperando
Extinguindo a beata acesa.

É avó nos dias que correm
E viúva do cancro que apareceu.
Os homens que morrem
Reclamam sempre o que é seu.

E Teresa não foi exceção...
Teresa escreveu com o coração
Na lápide do antigo marido:

"Está neste local jazido
Quem nunca me faltou
Mas rápido o tempo passou."

domingo, 13 de agosto de 2017

Vai tudo correr bem

Se algo correu mal no passado então deve-se aprender com isso. Com calma ninguém se chateia e com comunicação faz-se transparecer tudo. Esconder as coisas nunca leva a lado nenhum e apenas faz com que existam desatinos emocionais que, embora façam parte de qualquer relação, prejudicam o bem estar de ambos. Sentir-nos bem é algo bom. Querer fazer a outra pessoa sentir-se bem é ideal.

Numa nota pessoal, eu cá seria a pessoa mais feliz do mundo só por provocar um sorriso a quem está do outro lado. Um sorriso para todos os dias e eu sorriria também.

Vai tudo correr bem.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Quando nos calamos

Não existe no mundo
Melhor coisa do que
Estar sempre calado.

Estar calado para o amor.
Isto é, não falar dessas coisas.
Ser fechado e intransponível;
Ser um cadeado do sentimento.

Que sempre que falamos
Não dizemos o que queremos.
E sempre que dizemos o que queremos
Fica algo por dizer.
Mas não devia ser assim.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Meu amor do outro lado da serra

Meu amor do outro lado da serra
Sorri-me ao longe devagar.
Engana-me por desejar
Qualquer coisa que me encerra.

Meu amor na encosta oposta a esta
Sente falta do afeto que a envolveu.
Algo também me falta para eu
Acordar desta longa sesta.

As feridas que se curam
Não são obra do acaso;
Porque enquanto duram

São como flores num vaso.
Meu amor é da cidade
E cresce com a idade...

domingo, 16 de julho de 2017

A ilha dos amores

As musas dos cabelos negros
Na ilha dos amores
Não têm por quem chamar
Ao ofício a que cantam.

Beliscam o marinheiro
Ao longe que as avista;
Não o chamam por vontade
E medo do inesperado.

Sem convite se aproxima
O marujo às divas sentadas;
Repentina é a saudade
Que as deixa imutáveis.

Ao encontro no fim vão
Daquele sonho que vem do mar.
Sentidas de coração e alma
Julgam contar as novidades.

A recompensa final
Não é a ilha dos amores -
Mas a vontade que falta
O orgulho delas tomar.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Passat - a carrinha do amor


As mais belas histórias de amor contemporâneas passam-se dentro de carrinhas Passat.

Nos anos 60 seriam as T2, vulgarmente conhecidas como "carrinhas pão de forma", as maiores testemunhas de paixões flamejantes e de desejos ardorosos - muito devido, certamente, ao amplo espaço interior. Nos anos 80 os suecos não queriam ficar atrás dos alemães, como tinha acontecido 40 anos antes, e assistiu-se à afirmação da Volvo P220 como a carrinha onde toda a ação de amantes juvenis recém encartados acontecia. Passados os anos, e chegando aos tempos que hoje vivemos, é indiscutível que a Volkswagen voltou a dominar a trama do amor jovem com modelos cada vez mais apreciáveis da carrinha Passat.

Tal como as primeiras paixões, também as Passat são confusas. É uma carrinha? Um familiar? Talvez ambos? Há muitas questões sem resposta que colocam as Passat num nível de ambiguidade de definições onde se situam muitos namoros entre jovens.

As Passat, contrariamente às "pães de forma" não têm tanto espaço. Os namoros de hoje em dia precisam de muito espaço para que resultem - é um desafio consumá-lo nestas carrinhas alemãs. Este contraste está na base da popularidade das Passat - afinal, quando existe a necessidade de espaço emocional nas relações, este pode ser mascarado fisicamente pelo conforto compacto das Passat.

Além disso, existe um esforço por parte da marca em dar continuidade a este modelo de carrinhas. Nesse esforço, reveem-se muitos casais com dificuldades. O mundo a dois torna-se chato sem um pouco de inovação; a rotina acaba por ditar a sentença amarga de uma relação outrora feliz... E é nesse ponto que entram as Passat. Com uma grande variedade de equipamentos de entretenimento eletrónico e muitas soluções mecânicas inovadores que ousam transformar a condução, bem como os bancos traseiros, o mais confortável possível, nunca um par de apaixonados cairá no tédio de um tempo a dois que custa a passar.

Levando a cara metade a uma saída à noite numa Passat, é garantido que esta vai acabar bem. As Passat tornam as relações mais vigorosas e os laços entre ambos mais fortes. É a carrinha ideal para um recém encartado que tem agora a responsabilidade de levar a namorada a passear - ou para a rapariga independente sem medo do mundo que quer surpreender o seu amor num parque de estacionamento vazio de um shopping qualquer.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sara

Com olhos verdes
Só vê esperança;
Brinca ao amor
E arranja a trança...

É lá dos modelos
O sonho americano -
E de Sara os cabelos
Escuros sem plano.

Em Nova Iorque
E também em Milão
Faz seu toque

Parecer um empurrão.
É mesmo bela a Sara...
Com ela o mundo para...

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Adiando o estudo

Escrevendo umas equações que o meu professor disse serem simples,
Regalo-me ironicamente com o meu sentido de as não saber fazer.

Servem para coisas complexas.
O meu professor acha-as belas porque são simples
Ainda que resultem em maravilhas da matemática.
Em maravilhas que eu adio em descobrir.

Não me tenham em duvidosa fé.
Eu gosto disto: gosto de saber estas coisas.
Combinações lineares incidentes em corpos;
Valores e vetores próprios;
Derivadas parciais...
Eu acho tudo isto muito bonito.
Mas movo-me com uma incerteza lenta
E não apanho a tempo tudo o que é preciso saber.

Sou assim na vida toda.
Observo as coisas - noto-as devidamente.
Mas qualquer coisa falha na hora de tomar ação.
Não sei controlar a consequência da minha imobilidade
E não percebo porque teimo em ser assim.

Até este poema tão inocente e simples
Serve para mascarar a minha culpa
De não mergulhar nos capítulos
Dessas noções matemáticas complexas.

Há vezes em que nos sentimos tristes

Há vezes em que nos sentimos tristes.
Em que o mundo parece não gostar de nós.
Que não fomos feitos com propósito
Nem com uma finalidade a descobrir.

Dá a sensação de todos nos olharem nauseados.
De passarem por a gente com ar de nojo.
Que quando nos propomos a algo não sabemos
Se o que pretendemos faz os outros sentir bem.

Mas há vezes em que não queremos saber.
Tudo é sinceramente simples e possível.
Em que somos os reis do mundo e rainhas

De coração, dominamos o amor e a poesia.
Fazemos contas à vida juntando os seus saldos:
E tudo nem parece mau, vai um dia após outro.