sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A insónia


Estava eu na cama posto
Pronto para meu descanso,
Quando à cabeça me vem teu rosto.

Na minha mente ávida
A tua bela imagem começa
Como uma flor que pouco gosto
Pisada pela travessa vida;
É quando à cabeça me vem teu rosto.

Depois de pisada a raiz sobeja
Pronta para germinar de novo
Aquela flor que odeio e pica,
Para que pelo pé pisada seja.
Então à cabeça me vem teu rosto

Assustado enfim adormeço
E é então que a sonhar começo.
Nele teu rosto escarlate aparece
Livre dos espinhos malvados.

Vi então que tinhas mudado.
E que flor desejada eras!
Porque na honestidade acreditar puderas,
Acordo por ti desafiado.
E é quando à cabeça me vem teu rosto.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Assassinos de dicionário

Para certas pessoas, falar para um auditório é difícil. Não por desconhecerem as palavras que pretendem utilizar, mas por não conseguirem encandear logicamente as ideias a transmitir. Podem ter o plano previamente feito e, na hora de falar, os olhos escapam-se automaticamente para a folha manuscrita e as mãos pregam-se ao papel, o que arrasa a linguagem corporal e o discurso que até esse momento era fluido, contínuo e ininterrupto. Saber língua portuguesa e praticar convenientemente são requisitos para melhorar a oratória, tão importante no nosso dia-a-dia.
No plano da escrita, porém, começam os problemas. O meu uso excessivo de Internet proporciona-me alguns momentos bastante agradáveis. No entanto, sempre que me ligo a algum serviço social onde pessoas dão a sua opinião incoerente, insatisfatória, descontextualizada e absurda, a frustração apodera-se de mim. Virtualmente, já assassinei centenas de pessoas devido à sua estupidez e idiotice. E vou ser sincero: a minha consciência não está arrependida de ter esfaqueado, estropiado, empalado ou baleado as pessoínhas arrogantes e mesquinhas que opinam erroneamente e com autêntico desleixo pela língua portuguesa. 
Para mim, saber escrever bem, recorrendo às diversas figuras de estilo, torna possível que os leitores percebam claramente as ideias que pretendemos transmitir. E mais divertido ainda, é que a canalha que constantemente e apenas por burrice e estupidez plena maltratam e descredibilizam todo o seu português, pensam que qualquer texto minimamente estruturado é sinónimo de perfeição. O que faz com que compositores de palavras simples, mas sinceras, como eu, que embora não dominem totalmente a língua, mas têm vontade de aperfeiçoar, sejam os pequenos heróis e um refúgio aos vagabundos da gramática. E isso, faz-me sentir especial. Obrigado.

Um caso real, retirado do Youtube, que me fez vir escrever isto neste soalheiro dia de Agosto:
"nao sei porke kuado nos nacemos ja nao havia pink floyd ou queen ou hevie metal porke temos so agora justin bieber e nao kero ouvir e kero ouvir os outros e nao poso"

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Bagunça de Assuntos

O que dói mais? Ter um prego entre a unha e a carne do dedo grande do pé e dar uma biqueirada na parede ou sofrer por amor? Claramente a primeira. Digam o que disserem, não há dor inigualável. Até me dá arrepios só de pensar. Todavia, grande parte dos adolescentes hoje em dia receia que o lancinante sentimento do amor mais cedo ou mais tarde resulte numa aflição psicológica que, violentamente, possa manietar e controlar todas as acções do indivíduo. Bem, na verdade até não. Os adolescentes não querem saber nada disso. Tudo o que receiam é materializado.
As adolescentes, no entanto, querem fazer fotografia quando nem sabem o que a palavra significa. Querem ouvir os rapazes dizerem que são bonitas para que, satisfeitas, os possam ignorar e desprezar. Querem também receber "gostos" nas fotografias que publicam no Facebook, não interessando que parecem ridículas com um sorriso manchado e ingénuo, ou "patamente abocanhadas". Eu próprio gosto de "gostos", quem não, de direito? Foi, de facto, a grande invenção, depois da roda. O "gosto" mudou jovens acneicos para verdadeiros gigolôs da avaliação física de raparigas seminuas - acreditem, eu sei do que estou a falar. O "gosto" permitiu que pessoas, consideradas tímidas, pegassem em seus aparelhos de registo fotográfico e o utilizassem ao contrário, literalmente, com a objectiva direccionada para o simultâneo motivo e fotógrafo, ficando o visor à responsabilidade da atmosfera que, se Deus ajudar, criará então o plano focal desejado pelo sujeito que pega na máquina. Parece-me simplesmente absurdo, depois de analisar a situação. Resulta num subconsciente paradoxo fotográfico! Ou bem que se é o fotógrafo ou bem que se dá a fotografar. Talvez possamos considerar que, neste caso, a atmosfera seja o fotógrafo. Nesse caso, o paradoxo está resolvido.

E o mais engraçado é que nesta "bangunça de assuntos" (reparem que significa o mesmo que a tão venerada "mixórdia de temáticas") se encontra a minha perfeita e apurada descrição. Se quero criticar, mais vale começar por criticar o alvo mais fácil e a realidade que mais conheço: eu.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A luz apagou-se

Consigo tocar nas estrelas
porque as consigo alcançar.
São misteriosas, luminosas
são o astro divinal.

Consegui, sem querer, lá mexer
naquele distante ponto que
encanta o vagabundo navegante;
que aquece o coração de quem a acolher.

Mas a estrela afastou-se,
parou de traçar o rumo do pobre vagabundo,
o sentido inexistente pareceu desaparecer,
todo o seu esforço se desmoronou.

Dissipe-se a traidora luminosidade
irradiada pela desleal estrela miserável!
Que eu próprio encanto o pobre mendigo;
que se concretize a ideia que o trouxe àquele trilho afável.

domingo, 8 de julho de 2012

AMOR

Quem nunca se sentiu aprisionado pelo implacável sentimento que nos afecta, sobretudo, o coração? Quantas vezes tentamos agir de maneira racional, coerente? Mas esse esforço transforma-se num absurdo desperdício, uma vez que o amor não possui um modo lógico de existir. Todas as palavras conjugadas no meu pensamento são insuficientes para o ritmo avassalador que o nosso coração impõe face ao estímulo da percepção sentimental. É simplesmente absurdo, irracional, irreal. Esta emoção consome o espírito humano impiedosamente; faz-nos sentir meros fantoches, controlados pela realidade incontornável que habita dentro da nossa realidade sensível.
Cessem a paixão e a afeição física. Apague-se a chama fria do apego incoerente, porque não sabem o que é o sofrimento amoroso, o verdadeiro significado da dedicação amarga que recai nas quatro letras que mais mágoa oferece ao órgão central. Sentimentos desnecessariamente essenciais para a criação da divinal emoção. Não se consegue controlar, não se consegue descrever.
Nem sempre esta emoção causa uma discrepância tão abrupta entre a realidade cognitiva e a sensibilidade humana. Porém, a falta de vivência sentimental e o desejo de alcançar a verdade que se esconde nas estreitas ruas da razão levam-me a reflectir sobre este enigmático sentimento.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Declaração de amor

Gostava que um dia os meus pensamentos, os meus sentimentos, as minhas preocupações e precipitações se transformassem em actos, actos sinceros e deliberados que não te magoassem. Que visses a franqueza nos meus olhos, que sentisses a palpitação repentina e precipitada do meu coração. Que não me julgasses erroneamente como quase sempre acontece, porque impensadamente cometo erros tão graves na hora de actuar perante ti, a principal causa da minha inibição.
Qual será o segredo escondido nas tuas mensagens, nos teus olhares fatais, nos teus gestos infalíveis? Como é que não te deixas levar pelos outros? Como me percebes como ninguém? Às vezes penso que todo este esforço, todas estas horas perdidas que me devastam a pensar em ti são um absoluto desperdício, mas dou por mim a reciclá-las pela noite fora. Como posso eu perder tempo a escrever para ti, não mereces, és apenas uma perturbação para mim, era suposto fazeres-me sentir bem e não pessimamente.
Agora, nem uma palavra te dirijo, não sei porque não consigo, talvez por seres irrecuperável para mim. Por estares fora do meu alcance? És importante de mais para eu me dar ao luxo de sequer correr o risco de te perder. Sabes precisamente o que sinto; qual de nós o mais tímido, qual de nós o mais sensível. Não minto: um sorriso teu vale tudo para mim, um sorriso encovado, como tu sabes fazer. Um olhar discreto, subtil e elegante que percorre todo o universo envolvente e o teu tom de voz tão dócil, humilde e verdadeiro.
Sabes o que sempre te disse em relação aos sentimentos, em relação ao excesso de emoção. Concordas comigo, concordas que o amor perfeito não é aquele que se esconde nas aparências, é aquele aquele que se esconde na sinceridade e na força de o querer viver.

Uma saudação a todos os apaixonados de Verão e que se revejam nesta pequena observação. Tenho a impressão que o que sentimos é universal, pois uma pessoa sem sentimentos nem sensibilidade não é uma pessoa mas sim uma aberração.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Poema em linha reta

Porque é que no mundo não existe
alguém que me diga com a voz triste:
"não fui capaz, desisto"
"não consigo vencer isto!"?

Porque é que no mundo não existe
quem tivesse levado porrada?
Quem tenha pedido sem pagar,
quem tivesse ficado sem nada?

Mas eu, sempre sujo, sempre vil,
grotesco, mesquinho, arrogante,
indesejado, incompreensivelmente
abandonado, indesculpavelmente abocanhado.

Estou farto de perfeições,
não há gente neste mundo,
ninguém cai moribundo,
vivem todos nas suas ilusões.


Inspirado em Álvaro de Campos

terça-feira, 12 de junho de 2012

Portugal vs. Dinamarca

Amanhã, a selecção nacional terá nos pés a oportunidade de fazer sonhar o povo português com a grandiosidade de estar na final do Euro 2012. Iremos medir forças contra a Dinamarca que, apesar de já não ser a potência que era em 1992 quando venceu o europeu, é uma selecção que derrotou a equipa de estrelas da Holanda. À semelhança do jogo Portugal-Alemanha, pode-se considerar que o resultado não foi o mais justo. A infelicidade nessa partida esteve claramente do lado da Holanda, criando mais oportunidades e sendo, por oposição, menos eficaz. A verdade é que Portugal perdeu e a Holanda não venceu. Diz-se desta maneira porque o azar holandês assentou, no meu ponto de vista, na individualidade de certas estrelas, que apesar de terem feito um bom jogo, não contam com o suporte colectivo que as suas equipas de campeonato lhe oferecem. 
Portugal vê-se assim obrigado a vencer o jogo contra a Dinamarca se quer continuar a afirmar-se como um dos favoritos ao troféu. A escolha do avançado - uma questão muito discutida - recaiu sobre Postiga, novamente. Eu creio que a reduzida variedade de avançados que dispomos faz com que esta seja a opção mais sensata do treinador português. Nelson Oliveira provou nos treinos ser capaz de finalizar em grande estilo, mas a experiência de Postiga neste caso vale mais. Concordo que o jovem avançado entre na segunda parte, mas será a titularidade de um jogador que nem meia dúzia de jogos pelo Benfica fez a opção mais viável? Conto com as vossas opiniões.
A Dinamarca tem jogadores explosivos e versáteis. Muitos deles são conhecidos por não darem muito nas vistas durante o jogo, mas quando se trata de decidir o rumo da partida, entram em cena e fazem golos. Não os podemos considerar estrelas, mas os dinamarqueses têm algo que Portugal não tem: uma equipa equilibrada. Ao mesmo nível encontram-se os defesas, médios, e avançados. Portugal como sabemos tem um défice no ataque. 
Portanto, Ronaldo e seus colegas poderão deliciar os portugueses amanhã. Uma vitória, nada mais que isso, é pedida. Espera-se uma boa exibição do capitão português porque quando este está no seu máximo, a equipa acompanha-o. Foi o caso do amigável entre Portugal e Espanha logo após o Mundial 2010. Espanha era a campeã, estava no topo do mundo. Mas uma exibição personalizada de Ronaldo fez com que a equipa portuguesa derrotasse os campeões por 4-0, com um soberbo golo anulado (injustamente) da estrela portuguesa. Amanhã, a vitória em Lviv poderá levar à euforia popular, à exaltação dos valores nacionais, ao esquecimento dos problemas, da crise. Quando a selecção ganha, a alegria instala-se em casa de cada português, as crianças com os cachecóis e de cara pintada saltam aos gritos; um golo significa um grito de alívio, emoção e contentamento de uma nação empobrecida.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

De volta

Estou a escrever novamente no "vou escrever um blog" depois de ter escrito um blog. Então, não será a forma "vou escrever um blog" um pouco ultrapassada? Será a designação "Escrevi um blog. E agora, o que faço?" mais adequada? Ou a denominação um pouco mais arrojada mas bastante viril "Escrevi um blog. És lindo, faz-me um filho." servirá para satisfazer a maior parte das pessoas? A discussão está lançada. O debate iminente a esta questão provocará euforia nos leitores, provavelmente. Por isso aproveito para apelar à serenidade e opinião sustentada. É normal que os apoiantes do "Escrevi um blog. E agora, o que faço?" sejam na sua maioria homens desempregados ou jovens adolescentes com demasiado tempo livre em mãos. Por outro lado, os partidários do "Escrevi um blog. És lindo, faz-me um filho." serão possivelmente mulheres, solteiras, entre os 16 e 21 anos, visionárias e com extensos seios. Ou um internauta pedófilo.
Qualquer que seja o título do blog, o importante é o seu conteúdo. Parvamente, o autor destas composições não tem uma mentalidade fixa, um olhar objectivo, denotativo, sobre as diversas temáticas que quer abordar. Ontem, as papoilas do meu quintal eram suaves pêndulos escarlates deliciados pelo sabor do vento, num vai-vem natural, agitando o ambiente cinzento e parado provocado por um céu fechado de nuvens, sem alegria. Hoje, as pobres papoilas eram apenas plantas de um ecossistema dinâmico da biosfera, produtores na sua cadeia alimentar, realizam a fotossíntese e, nesta altura do ano, com o receptáculo aberto e com os estames preparados. Ter exame de Biologia na próxima semana arrasa o espírito conotativo de uma pessoa.
Portanto, conto com as opiniões sensatas dos exigentes leitores. Pensei bastante antes de voltar a tocar neste blog, para mim um fracasso, uma mistura de emoções sem sentido, que baralhava os sentidos seguidores. Com o passado deste espaço aprendi que é fácil tomar uma iniciativa, mas é difícil mantê-la dentro das perspectivas tão distintas de quem seguia este pedaço de mim.

terça-feira, 7 de junho de 2011

A primeira deputada transexual

Uma pila... Quem diria?
Chama-se Carla e foi eleita deputada da Assembleia de Madrid.
Ficou contentíssima(o) por ser eleita(o), pelo que diz que irá defender ao máximo os direitos dos homo e transexuais. Além disso é partidista do LGBT: Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis.

Após pesquisar algo mais acerca deste curioso e divertido revés, descobri que esta dita senhora é actriz, mas actriz normal! Quer dizer... Então a mulher tem um pénis e anda por aí a fazer novelas e filmes didácticos?! Esse trabalho é para gajas sem pila! Ela tem condições acima das normais: coisa que as outras não têm e anda a ganhar o ordenado de uma mera e insignificante actriz? Ela que vá fazer vídeos para o meio da rua com um sobretudo e, espontaneamente, abri-lo para as pessoas o verem! Acho que iria fazer uma fortuna no YouTube... Digo eu!

E já agora: como se tratam estas pessoas? Será que é "a Carla" ou "o Carla"? Morfologicamente, o substantivo feminino "Carla" pede um determinante feminino "a" antes dele. Porém, um pénis é coisa de homem, logo, para introduzir coisas masculinas deve-se utilizar o determinante masculino "o".

Uma notícia destas só podia ser do jornal i!