Uma da manhã - quente entre cobertores felpudos
E um gato brincalhão, sentada em fausto cadeirão,
Abertos os livros e posta de parte a imaginação,
A miúda entretém-se focadamente nos estudos.
É mecânica e ondas que a preocupa... - mas no fundo?
É a dinâmica dos acontecimentos do coração,
Aquelas ocasiões bastardas em que lhe lançam olhares
Com intuitos secundários. Bela como é, respeita a distância.
Só (como só ela sabe ser) inverte as equações em planos futuros.
Não, não se definem esses com sistemas.
Com sorrisos talvez.
E caracóis ondulados onde se perde o mar.
E todas as metáforas de física e química.
Suspira, vendo que ainda lhe falta aprender Galileu.
Vai sair na prova?
Esse sim, mas o rapaz dos planos não.
(Falhasse ela essa prova)
domingo, 9 de outubro de 2016
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Segredo
Meu amor bom, vou contar-te um segredo:
Nunca me apaixonei por ti realmente.
Quando pensei que sim, fiquei todo contente -
Mas rapidamente vi que tudo vinha cedo:
As vãs cartas de amor e as juras de paixão;
O segredar ao ouvido ao som da cascata;
O momento em que te coloquei o anel de prata.
Se perante isto dizes ter havido amor é porque não.
Contentemo-nos com a suave passagem da vida,
Com uma amizade que nunca vai entardecer.
Sabes, quem tem fé diz que há quem decida
Por nós tudo o que vai um dia acontecer.
Mas, amor bom, e se esse que planeia
Tiver mais com que se entreter?
Nunca me apaixonei por ti realmente.
Quando pensei que sim, fiquei todo contente -
Mas rapidamente vi que tudo vinha cedo:
As vãs cartas de amor e as juras de paixão;
O segredar ao ouvido ao som da cascata;
O momento em que te coloquei o anel de prata.
Se perante isto dizes ter havido amor é porque não.
Contentemo-nos com a suave passagem da vida,
Com uma amizade que nunca vai entardecer.
Sabes, quem tem fé diz que há quem decida
Por nós tudo o que vai um dia acontecer.
Mas, amor bom, e se esse que planeia
Tiver mais com que se entreter?
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
As inseguranças duma rapariga jovem
Sozinha vai, triste e amedrontada,
Pela rua escura, macabra e sem fim.
Com casaco fino - é noite de Verão -
Anseia chegar à entrada de casa.
Vem da vida que passa depressa,
Vem sem saber mais o que é paixão,
Respeito ou ódio sem despesa.
Tenta pensar no que lhe faz sorrir,
Mas no pensamento não surge nada.
Quantas mágoas passam naquele coração?
Por quantos desgostos amorosos passou ela?
Tudo isso, casos perigosos quantificáveis.
Mas não é essa a questão...
Ela vai e não volta àquela rua, a rua onde mora.
Pelo caminho lembra-se dos tempos de menina
Em que saltava nas barreiras de água
E salpicava toda contente a curta vida que tinha.
E a menina que ali passava há muitos anos
Perdeu-se no tempo, transformando-se
No seu maior medo - o monstro debaixo da cama,
A rapariga adolescente infeliz e sem caminho clareado.
Pela rua escura, macabra e sem fim.
Com casaco fino - é noite de Verão -
Anseia chegar à entrada de casa.
Vem da vida que passa depressa,
Vem sem saber mais o que é paixão,
Respeito ou ódio sem despesa.
Tenta pensar no que lhe faz sorrir,
Mas no pensamento não surge nada.
Quantas mágoas passam naquele coração?
Por quantos desgostos amorosos passou ela?
Tudo isso, casos perigosos quantificáveis.
Mas não é essa a questão...
Ela vai e não volta àquela rua, a rua onde mora.
Pelo caminho lembra-se dos tempos de menina
Em que saltava nas barreiras de água
E salpicava toda contente a curta vida que tinha.
E a menina que ali passava há muitos anos
Perdeu-se no tempo, transformando-se
No seu maior medo - o monstro debaixo da cama,
A rapariga adolescente infeliz e sem caminho clareado.
domingo, 31 de julho de 2016
Diversão
Um pequeno reparo:
As pessoas são divertidas.
Umas fingem-se tristes;
Outras fingem-se mais alegres.
Mas todas são divertidas.
Divertidas - isto é - procuram diversão.
Não para sorrir ou despejarem o pensamento,
Não para se distraírem ou se entreterem...
Diversão de quererem mudar o paradigma
Das suas vidas com frequência - não assentarem na mesma página.
Diversão tão consistente que a única constante que temos é essa mesma - diversão.
As pessoas com que as pessoas se dão alteram-se.
Os empregos e as faculdades são um delta curto.
Os passeios em tardes solarengas (com a decência meteorológica
De se estar bem na rua a andar em ruas estreitas por estreitas passagens)
São coisas que à noite já não existem.
Somente a diversão - sim, a diversão...
Somente com isso contamos para que exista variação de ritmos
E paisagens e passagens - senão era tudo uma questão de sabermos
Todos os segredos particulares das rotinas - e assim a vida não seria divertida.
As pessoas são divertidas.
Umas fingem-se tristes;
Outras fingem-se mais alegres.
Mas todas são divertidas.
Divertidas - isto é - procuram diversão.
Não para sorrir ou despejarem o pensamento,
Não para se distraírem ou se entreterem...
Diversão de quererem mudar o paradigma
Das suas vidas com frequência - não assentarem na mesma página.
Diversão tão consistente que a única constante que temos é essa mesma - diversão.
As pessoas com que as pessoas se dão alteram-se.
Os empregos e as faculdades são um delta curto.
Os passeios em tardes solarengas (com a decência meteorológica
De se estar bem na rua a andar em ruas estreitas por estreitas passagens)
São coisas que à noite já não existem.
Somente a diversão - sim, a diversão...
Somente com isso contamos para que exista variação de ritmos
E paisagens e passagens - senão era tudo uma questão de sabermos
Todos os segredos particulares das rotinas - e assim a vida não seria divertida.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Ofélia
Sabe, bebé lindinha...
Olho para si com vontade
De a encher de beijinhos
Para matar a saudade.
Olhe, bebé fofinha...
Eu cá a espero um dia
Para ver como queria
Que o menino se portasse.
Porque eu sou o seu pequenino,
Com ou sem amor que passasse!
E tantas coisas com tino
Que lhe escrevi do coração...
Para sempre, o seu menino:
Fernando (Nininho)
Olho para si com vontade
De a encher de beijinhos
Para matar a saudade.
Olhe, bebé fofinha...
Eu cá a espero um dia
Para ver como queria
Que o menino se portasse.
Porque eu sou o seu pequenino,
Com ou sem amor que passasse!
E tantas coisas com tino
Que lhe escrevi do coração...
Para sempre, o seu menino:
Fernando (Nininho)
sábado, 9 de julho de 2016
Olha, Margarida
Olha, Margarida.
Não me olhes assim quando estou bêbado.
Tu gostas...
Não gostas?
Gostas - vejo-te sorrindo por detrás das tuas covinhas que tentas disfarçar.
Ri-te sem pesar - eu gosto quando sorris...
Como gostas quando tenho bebedeiras...
Olha, Margarida...
A vida é senão uma bebedeira gigantesca.
Quando formos velhos não vamos estar mais sóbrios,
Apenas mais cansados.
Quando morrermos não vamos acordar no dia seguinte ressacados
Porque a morte é a cura que desejamos encontrar em vida.
Margarida... Bebe mais comigo e podemos ambos estar
Sãos de consciência e desequilibrados de equilíbrio.
A vida é senão o mote engraçado da morte,
Por isso precisamos de mais vinho e aguardente forte -
Sabes, para nos rirmos um bocadinho.
Olha, Margarida!
Todos nós temos amigos mais próximos e menos próximos.
Mais próximos e menos próximos da morte, quero eu dizer...
Tu és minha amiga, Margarida, mas próximo de nós, que eu enxergue
Com os meus olhos semiabertos, apenas está uma garrafa de vinho.
É vinho bom - prova mais!
Bebamos e brindemos com um copo cheio - e depois com outro!
Porque olha, Margarida...
O vinho não se acaba, já que tenho a sensação que a bebedeira é eterna.
Não me olhes assim quando estou bêbado.
Tu gostas...
Não gostas?
Gostas - vejo-te sorrindo por detrás das tuas covinhas que tentas disfarçar.
Ri-te sem pesar - eu gosto quando sorris...
Como gostas quando tenho bebedeiras...
Olha, Margarida...
A vida é senão uma bebedeira gigantesca.
Quando formos velhos não vamos estar mais sóbrios,
Apenas mais cansados.
Quando morrermos não vamos acordar no dia seguinte ressacados
Porque a morte é a cura que desejamos encontrar em vida.
Margarida... Bebe mais comigo e podemos ambos estar
Sãos de consciência e desequilibrados de equilíbrio.
A vida é senão o mote engraçado da morte,
Por isso precisamos de mais vinho e aguardente forte -
Sabes, para nos rirmos um bocadinho.
Olha, Margarida!
Todos nós temos amigos mais próximos e menos próximos.
Mais próximos e menos próximos da morte, quero eu dizer...
Tu és minha amiga, Margarida, mas próximo de nós, que eu enxergue
Com os meus olhos semiabertos, apenas está uma garrafa de vinho.
É vinho bom - prova mais!
Bebamos e brindemos com um copo cheio - e depois com outro!
Porque olha, Margarida...
O vinho não se acaba, já que tenho a sensação que a bebedeira é eterna.
domingo, 26 de junho de 2016
Tua boca macia
Tua boca macia onde se perdem trovoadas de pensamentos;
Belas e rosadas faces que dão cor aos sentimentos
Por ti achados sem qualquer razão arbitrária.
Teu corpóreo e momentâneo olhar destilado
Percorrendo as largas preocupações ignoradas,
Sem menções sobejas, nem efeitos ou bichinhos de passado.
Teu sorriso molhado, curvilíneo e distintivo -
Deduz pecado sem comprometer uma sacra natureza
Que faz do riso combustão e das palavras inteligência.
Teu corpo de dança - alma espelhada de música;
Move-se no ambiente dando vida ao espaço envolvente.
Seminua de preconceitos antigos, tudo em ti é transparente.
Belas e rosadas faces que dão cor aos sentimentos
Por ti achados sem qualquer razão arbitrária.
Teu corpóreo e momentâneo olhar destilado
Percorrendo as largas preocupações ignoradas,
Sem menções sobejas, nem efeitos ou bichinhos de passado.
Teu sorriso molhado, curvilíneo e distintivo -
Deduz pecado sem comprometer uma sacra natureza
Que faz do riso combustão e das palavras inteligência.
Teu corpo de dança - alma espelhada de música;
Move-se no ambiente dando vida ao espaço envolvente.
Seminua de preconceitos antigos, tudo em ti é transparente.
domingo, 19 de junho de 2016
Limites
Não vamos fazer de conta que estamos felizes com o estado actual da situação.
Mas também não iremos remeter-nos ao silêncio conformista.
As coisas estão más, sim. Mas não estão péssimas.
É difícil ver por entre a escuridão que nos encobre,
Mas por vezes é do bater do coração que nasce qualquer ténue forma de luz.
Por vezes é das razões hipotéticas - que não sabemos sequer se existem -
Que origina uma força tremenda, quais tarefas infinitas rendidas à sua acção.
É difícil não vomitar quando tudo à nossa volta é podridão.
É dos "por vezes" que nunca acontecem que a nossa vida continua um dia de cada vez.
"Todos necessitamos de algo para nos agarrar."
Menos Nietzsche - mas ele tinha a filosofia.
Menos Deus-ele-próprio - mas ele tem a sua criação.
Menos o Homem como colectividade - mas ele tem o planeta, do qual fez casa.
Menos os animais e a Natureza - mas esses não precisam, por isso têm a desnecessidade.
Não vamos fazer de conta que estamos felizes com o estado actual da nossa consciência.
Querer definir relações entre as coisas do mundo físico e da realidade metafísica
É desempenhar a função dos filósofos - esses que só queriam experimentar o sabor
De serem deuses por um bocadinho, num tempo que nem eles conseguiam definir.
Mas também não iremos remeter-nos ao silêncio conformista.
As coisas estão más, sim. Mas não estão péssimas.
É difícil ver por entre a escuridão que nos encobre,
Mas por vezes é do bater do coração que nasce qualquer ténue forma de luz.
Por vezes é das razões hipotéticas - que não sabemos sequer se existem -
Que origina uma força tremenda, quais tarefas infinitas rendidas à sua acção.
É difícil não vomitar quando tudo à nossa volta é podridão.
É dos "por vezes" que nunca acontecem que a nossa vida continua um dia de cada vez.
"Todos necessitamos de algo para nos agarrar."
Menos Nietzsche - mas ele tinha a filosofia.
Menos Deus-ele-próprio - mas ele tem a sua criação.
Menos o Homem como colectividade - mas ele tem o planeta, do qual fez casa.
Menos os animais e a Natureza - mas esses não precisam, por isso têm a desnecessidade.
Não vamos fazer de conta que estamos felizes com o estado actual da nossa consciência.
Querer definir relações entre as coisas do mundo físico e da realidade metafísica
É desempenhar a função dos filósofos - esses que só queriam experimentar o sabor
De serem deuses por um bocadinho, num tempo que nem eles conseguiam definir.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Poema das rosas que te quis oferecer
Foram seis as rosas que te quis oferecer;
Foram seis rosas as que deixaste morrer.
Assim como essas, também eu fiquei
Frágil e quebradiço, fingindo que amei.
Não há pretéritos perfeitos no amor.
Se fossem perfeitos não fingia que te amava.
Foram seis rosas as que deixaste morrer.
Assim como essas, também eu fiquei
Frágil e quebradiço, fingindo que amei.
Não há pretéritos perfeitos no amor.
Se fossem perfeitos não fingia que te amava.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Nádia
Nada nem ninguém extingue o amor que
Pelo teu dócil homem guardas no coração.
Nádia nasceste e para o amor és serva -
Mas ele tornou-te severamente cega.
Antigamente juravas em lágrimas e oração
Que nunca te apanhariam prisioneira na vida.
Hoje em dia, Nádia, não acordas e estás sentida!
As lágrimas são de dor - não de amor, Nádia!
Amanhã serás velha. Cansada e gasta - uma lástima.
Terás rugas e não serás atraente - e o amor?
Onde estará ele, esse que chamas amor?
Nádia - não deixes a tua vida para a última...
Só que se já vives com alguém, e te sentes
Bem, valerá convenceres-me que mentes?
Pelo teu dócil homem guardas no coração.
Nádia nasceste e para o amor és serva -
Mas ele tornou-te severamente cega.
Antigamente juravas em lágrimas e oração
Que nunca te apanhariam prisioneira na vida.
Hoje em dia, Nádia, não acordas e estás sentida!
As lágrimas são de dor - não de amor, Nádia!
Amanhã serás velha. Cansada e gasta - uma lástima.
Terás rugas e não serás atraente - e o amor?
Onde estará ele, esse que chamas amor?
Nádia - não deixes a tua vida para a última...
Só que se já vives com alguém, e te sentes
Bem, valerá convenceres-me que mentes?
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