Tua boca macia onde se perdem trovoadas de pensamentos;
Belas e rosadas faces que dão cor aos sentimentos
Por ti achados sem qualquer razão arbitrária.
Teu corpóreo e momentâneo olhar destilado
Percorrendo as largas preocupações ignoradas,
Sem menções sobejas, nem efeitos ou bichinhos de passado.
Teu sorriso molhado, curvilíneo e distintivo -
Deduz pecado sem comprometer uma sacra natureza
Que faz do riso combustão e das palavras inteligência.
Teu corpo de dança - alma espelhada de música;
Move-se no ambiente dando vida ao espaço envolvente.
Seminua de preconceitos antigos, tudo em ti é transparente.
domingo, 26 de junho de 2016
domingo, 19 de junho de 2016
Limites
Não vamos fazer de conta que estamos felizes com o estado actual da situação.
Mas também não iremos remeter-nos ao silêncio conformista.
As coisas estão más, sim. Mas não estão péssimas.
É difícil ver por entre a escuridão que nos encobre,
Mas por vezes é do bater do coração que nasce qualquer ténue forma de luz.
Por vezes é das razões hipotéticas - que não sabemos sequer se existem -
Que origina uma força tremenda, quais tarefas infinitas rendidas à sua acção.
É difícil não vomitar quando tudo à nossa volta é podridão.
É dos "por vezes" que nunca acontecem que a nossa vida continua um dia de cada vez.
"Todos necessitamos de algo para nos agarrar."
Menos Nietzsche - mas ele tinha a filosofia.
Menos Deus-ele-próprio - mas ele tem a sua criação.
Menos o Homem como colectividade - mas ele tem o planeta, do qual fez casa.
Menos os animais e a Natureza - mas esses não precisam, por isso têm a desnecessidade.
Não vamos fazer de conta que estamos felizes com o estado actual da nossa consciência.
Querer definir relações entre as coisas do mundo físico e da realidade metafísica
É desempenhar a função dos filósofos - esses que só queriam experimentar o sabor
De serem deuses por um bocadinho, num tempo que nem eles conseguiam definir.
Mas também não iremos remeter-nos ao silêncio conformista.
As coisas estão más, sim. Mas não estão péssimas.
É difícil ver por entre a escuridão que nos encobre,
Mas por vezes é do bater do coração que nasce qualquer ténue forma de luz.
Por vezes é das razões hipotéticas - que não sabemos sequer se existem -
Que origina uma força tremenda, quais tarefas infinitas rendidas à sua acção.
É difícil não vomitar quando tudo à nossa volta é podridão.
É dos "por vezes" que nunca acontecem que a nossa vida continua um dia de cada vez.
"Todos necessitamos de algo para nos agarrar."
Menos Nietzsche - mas ele tinha a filosofia.
Menos Deus-ele-próprio - mas ele tem a sua criação.
Menos o Homem como colectividade - mas ele tem o planeta, do qual fez casa.
Menos os animais e a Natureza - mas esses não precisam, por isso têm a desnecessidade.
Não vamos fazer de conta que estamos felizes com o estado actual da nossa consciência.
Querer definir relações entre as coisas do mundo físico e da realidade metafísica
É desempenhar a função dos filósofos - esses que só queriam experimentar o sabor
De serem deuses por um bocadinho, num tempo que nem eles conseguiam definir.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Poema das rosas que te quis oferecer
Foram seis as rosas que te quis oferecer;
Foram seis rosas as que deixaste morrer.
Assim como essas, também eu fiquei
Frágil e quebradiço, fingindo que amei.
Não há pretéritos perfeitos no amor.
Se fossem perfeitos não fingia que te amava.
Foram seis rosas as que deixaste morrer.
Assim como essas, também eu fiquei
Frágil e quebradiço, fingindo que amei.
Não há pretéritos perfeitos no amor.
Se fossem perfeitos não fingia que te amava.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Nádia
Nada nem ninguém extingue o amor que
Pelo teu dócil homem guardas no coração.
Nádia nasceste e para o amor és serva -
Mas ele tornou-te severamente cega.
Antigamente juravas em lágrimas e oração
Que nunca te apanhariam prisioneira na vida.
Hoje em dia, Nádia, não acordas e estás sentida!
As lágrimas são de dor - não de amor, Nádia!
Amanhã serás velha. Cansada e gasta - uma lástima.
Terás rugas e não serás atraente - e o amor?
Onde estará ele, esse que chamas amor?
Nádia - não deixes a tua vida para a última...
Só que se já vives com alguém, e te sentes
Bem, valerá convenceres-me que mentes?
Pelo teu dócil homem guardas no coração.
Nádia nasceste e para o amor és serva -
Mas ele tornou-te severamente cega.
Antigamente juravas em lágrimas e oração
Que nunca te apanhariam prisioneira na vida.
Hoje em dia, Nádia, não acordas e estás sentida!
As lágrimas são de dor - não de amor, Nádia!
Amanhã serás velha. Cansada e gasta - uma lástima.
Terás rugas e não serás atraente - e o amor?
Onde estará ele, esse que chamas amor?
Nádia - não deixes a tua vida para a última...
Só que se já vives com alguém, e te sentes
Bem, valerá convenceres-me que mentes?
terça-feira, 24 de maio de 2016
Matilde
Matilde, filha de Mafalda e Infanta de Portugal,
O país viste nascer e teu pai bélico conquistar.
No século doze não se avistava de Coimbra o mar,
Mas graças à força que deste ao rei-teu-pai ancestral,
Mais cidades houve abaixo do Tejo, mais riqueza
Vimos nascer, mais mouros acabaram por morrer.
Matilde, eras princesa pequena e sem certeza
Quando se formou a terra dos poetas sem-querer.
Hoje, Matilde, vês o mundo no alto das luzes.
Respeitar a tua perspetiva ensina o mais persistente
Homem a vangloriar o teu sincero coração radiante,
Muda conjuntos de pensamentos e cria filosofias -
Porque és Matilde encarnada na estética e metafísica,
Mas com uma juventude inocente que nunca acabará.
O país viste nascer e teu pai bélico conquistar.
No século doze não se avistava de Coimbra o mar,
Mas graças à força que deste ao rei-teu-pai ancestral,
Mais cidades houve abaixo do Tejo, mais riqueza
Vimos nascer, mais mouros acabaram por morrer.
Matilde, eras princesa pequena e sem certeza
Quando se formou a terra dos poetas sem-querer.
Hoje, Matilde, vês o mundo no alto das luzes.
Respeitar a tua perspetiva ensina o mais persistente
Homem a vangloriar o teu sincero coração radiante,
Muda conjuntos de pensamentos e cria filosofias -
Porque és Matilde encarnada na estética e metafísica,
Mas com uma juventude inocente que nunca acabará.
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Antibes à noite
Dois homens, pescando no breu,
Com lamparinas fracas chamam ao isco o peixe.
Agachado no barco, um alcança a água
Com um fio curto, qual dificuldade é pescar quando nada se vê.
O outro, com uma forquilha de quatro dentes,
Tenta dissimular um peixe gordo que, curioso, veio ao cimo da água.
Peixe - essa tua fuga ao que és te condenou à fogueira.
Mosquitos e traças compõem a atmosfera envolvente,
O que seria de esperar, porque a noite tem distúrbios naquele lugar.
As traças não incomodam os homens, que para a tarefa de apanhar
Algum peixe decente, têm de se imaginar eles-próprios peixes.
E os mosquitos são temporários - a fome é perpétua.
Na margem, duas moças. Uma, de bicicleta em punho
Saboreia um sensual gelado chamativo.
Os pescadores ignoram. Gelado, corpo de mulher? Isso não é pesca.
A outra, de delgada figura, pousa acenando aos homens e sua arte.
Quem são estas mulheres?
Quem são estes pescadores?
O do arpão prestes a concluir a sua tarefa?
O da linha, abaixado, com dificuldade em ver os peixes?
Será um o presente e o outro o passado?
A mulher do gelado é a tentação? A mulher fina a resolução?
Não se sabe.
Apenas que à beira de Antibes estão dois pescadores pescando na noite
E duas mulheres pescando a noite na vila fantasmagórica.
(Mais informação e obras de Picasso no Artsy)
sexta-feira, 13 de maio de 2016
Metade da cidade
Confortável, no jardim central da cidade,
É possível olhar panoramicamente
Para a tristeza generalizada daquele lugar.
O velho moribundo pedindo na rua em frente;
O cheiro nauseante do aterro descoberto ao lado;
Do outro, o centro de negócios engravatado.
O engenheiro milionário, no seu carro eléctrico,
Tira uma fotografia ao que lhe convém.
Sai do carro apressado, à espera está o cliente e
Murmura para o sr. dr: "olhe que bem!".
Dá início ao negócio; trezentos milhões naquele encontro.
Mas o velho em frente, fazendo o que pode,
Dá milho aos pombos, sorridente.
Ele era o engenheiro do negócio que nunca surgiu.
É possível olhar panoramicamente
Para a tristeza generalizada daquele lugar.
O velho moribundo pedindo na rua em frente;
O cheiro nauseante do aterro descoberto ao lado;
Do outro, o centro de negócios engravatado.
O engenheiro milionário, no seu carro eléctrico,
Tira uma fotografia ao que lhe convém.
Sai do carro apressado, à espera está o cliente e
Murmura para o sr. dr: "olhe que bem!".
Dá início ao negócio; trezentos milhões naquele encontro.
Mas o velho em frente, fazendo o que pode,
Dá milho aos pombos, sorridente.
Ele era o engenheiro do negócio que nunca surgiu.
sábado, 23 de abril de 2016
Luísa
A Luísa é difícil de explicar...
Um tanto doce, suavemente vive.
Tem imenso para ao mundo dar
Ao saber as angústias que tive.
Luísa de porcelana frágil:
O teu físico quebradiço é magistral,
Embora tua mente rápida e ágil.
Luísa: no teu coração não encontro mal.
Mas ao ver-te dar corda ao relógio,
Aquele que na vida só pára duas vezes,
Talvez me caia uma lágrima breve -
Não de tristeza mas de esperança -
Porque tens em perfeita balança
A vida e a necessidade de viver.
Um tanto doce, suavemente vive.
Tem imenso para ao mundo dar
Ao saber as angústias que tive.
Luísa de porcelana frágil:
O teu físico quebradiço é magistral,
Embora tua mente rápida e ágil.
Luísa: no teu coração não encontro mal.
Mas ao ver-te dar corda ao relógio,
Aquele que na vida só pára duas vezes,
Talvez me caia uma lágrima breve -
Não de tristeza mas de esperança -
Porque tens em perfeita balança
A vida e a necessidade de viver.
domingo, 17 de abril de 2016
Estas manhãs de domingo de quando eu era pequenino
É um domingo de manhã.
Eu, menino, levanto-me para ir à missa.
O sol radia pelo quarto,
Tudo está claro no espaço luminoso.
Do quarto à cozinha distam dois corredores,
Quais atribuo a designação por os completar a correr.
Na cozinha já está o guisado ao lume,
Por ser domingo e pelo dia ser característico
Do almoço especial - comida mais saborosa para
O doce paladar de uma criança.
Este é o cheiro característico deste dia.
Este sol pertence aos domingos - aos meus domingos.
Esta pressa que a mãe me incute porque já está
Quase na hora da missa é coisa típica de domingo.
Estas manhãs de domingo de quando eu era pequenino.
Embarcávamos no carro e seguíamos para a missa.
A família no carro - o carro com intenções divinas.
Na capela ouvia o padre, as velhas nas leituras,
As outras pessoas a ouvirem o padre.
Observava o ambiente, buscava os meus amigos.
Deus estava lá - Deus era eu a fazer isto tudo.
Deus não era a palavra do padre, não eram as leituras.
Deus era uma criança a ir à missa, porque ia à missa a brincar.
Deus não era coisa de adultos sérios ou padres jovens intelectuais.
Era eu estar lá a pensar em ir brincar com os amigos à porta da capela, no fim da missa.
Findada a missa e a brincadeira, Deus ficava lá quietinho
E até para a semana, se Deus quiser.
Era altura de ir ao café.
Para o pai, café forte;
(Não necessariamente forte o conteúdo da chávena,
Mas aos meus olhos era o necessário)
Para a mãe, café cheio;
Para mim, o que calhasse - mas tinha que ser doce.
E a minha mente olhava para o doce e nada mais.
Em casa, o guisado devia de estar feito.
Cheirava bem, e era só.
A refeição acabava e a única grande preocupação
Era a escola que sucedia desse o ponteiro a volta ao relógio.
Era simples.
Como este poema.
Eu, menino, levanto-me para ir à missa.
O sol radia pelo quarto,
Tudo está claro no espaço luminoso.
Do quarto à cozinha distam dois corredores,
Quais atribuo a designação por os completar a correr.
Na cozinha já está o guisado ao lume,
Por ser domingo e pelo dia ser característico
Do almoço especial - comida mais saborosa para
O doce paladar de uma criança.
Este é o cheiro característico deste dia.
Este sol pertence aos domingos - aos meus domingos.
Esta pressa que a mãe me incute porque já está
Quase na hora da missa é coisa típica de domingo.
Estas manhãs de domingo de quando eu era pequenino.
Embarcávamos no carro e seguíamos para a missa.
A família no carro - o carro com intenções divinas.
Na capela ouvia o padre, as velhas nas leituras,
As outras pessoas a ouvirem o padre.
Observava o ambiente, buscava os meus amigos.
Deus estava lá - Deus era eu a fazer isto tudo.
Deus não era a palavra do padre, não eram as leituras.
Deus era uma criança a ir à missa, porque ia à missa a brincar.
Deus não era coisa de adultos sérios ou padres jovens intelectuais.
Era eu estar lá a pensar em ir brincar com os amigos à porta da capela, no fim da missa.
Findada a missa e a brincadeira, Deus ficava lá quietinho
E até para a semana, se Deus quiser.
Era altura de ir ao café.
Para o pai, café forte;
(Não necessariamente forte o conteúdo da chávena,
Mas aos meus olhos era o necessário)
Para a mãe, café cheio;
Para mim, o que calhasse - mas tinha que ser doce.
E a minha mente olhava para o doce e nada mais.
Em casa, o guisado devia de estar feito.
Cheirava bem, e era só.
A refeição acabava e a única grande preocupação
Era a escola que sucedia desse o ponteiro a volta ao relógio.
Era simples.
Como este poema.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Deus está morto?

Deus é uma teologia à parte.
Nietzsche é uma parte da teologia.
Em cinquenta anos nada se acrescentou
À pergunta inaugurada pelo filósofo alemão.
Em séculos passados - mais de vinte -
Ninguém perguntou a questão.
Quem perguntava era silenciado.
Portanto ninguém, em registo oficial, quis saber.
Excepto a humanidade inteira.
Excepto o Homem que vem antes de Deus.
Excepto os juízes da Inquisição que ardem no Inferno
E os Papas que para lá seguiram.
Enfim - a doutrina mudou.
(E os dogmas, como são esses?)
Os Papas sentam-se no trono e morrem.
Todos os filósofos são Deuses
E Deus é um mero filósofo.
Ou será que o Homem não escreveu sobre isso?
Sinceramente, todo este tema é aborrecido,
Só que há perguntas que têm de ser feitas.
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