Adormecendo embebido no teu perfume,
Penso na direcção que tomámos firmemente.
Gostava de te dizer por palavras que há
Maneiras de fazer acontecer o melhor em nós
E que me despertas em calmaria de beijos.
Mas é difícil acontecerem diálogos fecundos,
Ora os pensamentos que não se materializam.
Mais um pouco e o levantar das pálpebras
Torna-se imbecilmente moroso e pesado.
Mas pensar em ti com todos os sentidos também.
Recolho-me pela última vez no cobertor
Que cheira a ti e não quer passar despercebido:
Com uma última nuance febril e louca,
Penso como foi beijar-te pela última vez.
domingo, 12 de abril de 2015
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Anti-amor
Não foi uma memória extinta
Ou um raio de sonho luminoso.
Definhe-se no tempo misterioso
Essa vida que relembro em tinta.
Mas aquela vontade de te dizer
Acima da dor o que me fez doer,
Nem essa, que é certa como tu,
Me fará parar de sentir roto e nu.
Chega de promessas distantes
Ou orvalhos de manhãs brilhantes
Esperando o que nunca chega.
Foi um perpétuo silêncio perene
De uma velha novidade cega.
No amor só toca quem não aprende.
Ou um raio de sonho luminoso.
Definhe-se no tempo misterioso
Essa vida que relembro em tinta.
Mas aquela vontade de te dizer
Acima da dor o que me fez doer,
Nem essa, que é certa como tu,
Me fará parar de sentir roto e nu.
Chega de promessas distantes
Ou orvalhos de manhãs brilhantes
Esperando o que nunca chega.
Foi um perpétuo silêncio perene
De uma velha novidade cega.
No amor só toca quem não aprende.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Filipa
Saí à rua apressado e alguém me sorriu.
Era a Filipa, aquela vizinha suave!
Vive entre a casa arrendada e a universidade
E dizem que tira muito boas notas.
Que estuda ela? Ah, é medicina!
Não deve ter tempo para nada...
"Ontem li os teus sonetos; li-os todos...",
Disse-me enquanto eu fechava o portão.
"Estão muito belos; tão belos que tudo são!"
A Filipa tem metafísica e consciência carnal.
Perguntei-lhe o que fazia: arrumava o quintal.
Eu, que estava atrasado, aproximei-me
Da sua casa paralela. Vendo-a varrer,
Deixei-lhe o meu caderno privado de sonetos.
Era a Filipa, aquela vizinha suave!
Vive entre a casa arrendada e a universidade
E dizem que tira muito boas notas.
Que estuda ela? Ah, é medicina!
Não deve ter tempo para nada...
"Ontem li os teus sonetos; li-os todos...",
Disse-me enquanto eu fechava o portão.
"Estão muito belos; tão belos que tudo são!"
A Filipa tem metafísica e consciência carnal.
Perguntei-lhe o que fazia: arrumava o quintal.
Eu, que estava atrasado, aproximei-me
Da sua casa paralela. Vendo-a varrer,
Deixei-lhe o meu caderno privado de sonetos.
quinta-feira, 19 de março de 2015
Fecham-se os olhos
Certo é que se fecharmos os olhos,
Escuridão é tudo o que vemos.
Resta-nos o sonho de apenas
Ver com a nossa imaginação
Estes pensamentos do dia-a-dia.
Juntemos então a isso o desejo de
Abrir para sempre os olhos.
Escuridão é tudo o que vemos.
Resta-nos o sonho de apenas
Ver com a nossa imaginação
Estes pensamentos do dia-a-dia.
Juntemos então a isso o desejo de
Abrir para sempre os olhos.
terça-feira, 3 de março de 2015
Errar é fixe, conas de merda!
Errare humanum est. Penso eu.
Não me cometo com exclusividade aos enganos graves que prejudicam as pessoas ao nosso redor quando vulgarizo a idiota falta de eficácia humana, comummente conhecida por 'erro'. Se mais tempo fosse aproveitado para discutir os problemas graves do mundo e as grandes questões - de voluptuosa natureza - seriamos todos mais felizes. Por certo, quem discorda disto nunca vislumbrou mamas de uma maneira extremamente esotérica.
O quanto são ridículos os adolescentes que incessantemente despojam largas horas afogados em pensamentos absurdos direccionados ao sexo oposto, cismando que talvez aquela particular interacção anteontem com aquela específica rapariga, ou rapaz, fosse mal efectuada e, doravante, interacções semelhantes passarão a ser consideradas erros. Ah - os grandes erros da adolescência infinita! Ah - como o mundo parece por vezes tão mal moldado por ti, vulgar adolescente insignificante.
Enfim, se esses erros forem os teus e não os de mais ninguém, erra com uma força enorme! Mas erra enquanto podes, porque por enquanto és adolescente e não és absolutamente mais nada - nem para ti nem para mais ninguém. Como consequência lógica disso, os teus erros também não são nada no panorama global dos erros diários cometidos por aqueles que fazem diferença no mundo.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Elisa
Para Elisa o mundo brilha
E o suave piano dual começa.
O tempo sinfónico atravessa
Os atalhos que a vida trilha
Enquanto, pura, Elisa escuta
Com os seus grandes olhos.
Nestes dias de pequenos sonhos
E de estáticas e complexas lutas,
Ver compor por quem não ouve
A bela e alemã obra de piano,
Ainda que nem suspeitas houve
Do ancião e audaz amor leviano,
Faz calar as luzes e concretiza
Brilhante e eterna vida para Elisa.
E o suave piano dual começa.
O tempo sinfónico atravessa
Os atalhos que a vida trilha
Enquanto, pura, Elisa escuta
Com os seus grandes olhos.
Nestes dias de pequenos sonhos
E de estáticas e complexas lutas,
Ver compor por quem não ouve
A bela e alemã obra de piano,
Ainda que nem suspeitas houve
Do ancião e audaz amor leviano,
Faz calar as luzes e concretiza
Brilhante e eterna vida para Elisa.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
O pálido ponto azul suspenso num raio de sol
Quando o Universo decidiu
À Terra dar a divina vida,
Ainda que agora perdida,
Não soube o que sentiu.
Na altura de hora crassa
Fez as terras e os rios;
Os homens, esculpiu-os
Pondo-lhes uma certa graça.
Olhou-nos por fim o Universo
Ao longe envolto, de leve,
Numa sólida lágrima breve,
Vendo o seu maior sucesso:
A Terra de norte a sul;
Este pálido ponto azul.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Soneto silencioso
Era tarde, sabíamos, para nos amarmos.
Ainda assim escolhemos os abraços sóbrios
Para serem o refúgio do nosso romance.
Esses abraços extensíveis no tempo...
Tantas estórias sobre o excessivo e enervante
Amor que denunciámos; quantas lutas lógicas
Tentámos, na esperança perdida de querer mais,
Um contra o outro, ferozes, impecáveis, dissipar.
Longe, onde moras, as pessoas casam com quem
Lhes pertence. Fazem filhos e dão-lhes a Vida
Que lhes resta... A ti deram-te a Morte certa.
Porque cansas quem te quer e assustas o Futuro,
Afastaste-te precoce, e sem ti apenas restou
Um silêncio inimaginavelmente ensurdecedor.
Ainda assim escolhemos os abraços sóbrios
Para serem o refúgio do nosso romance.
Esses abraços extensíveis no tempo...
Tantas estórias sobre o excessivo e enervante
Amor que denunciámos; quantas lutas lógicas
Tentámos, na esperança perdida de querer mais,
Um contra o outro, ferozes, impecáveis, dissipar.
Longe, onde moras, as pessoas casam com quem
Lhes pertence. Fazem filhos e dão-lhes a Vida
Que lhes resta... A ti deram-te a Morte certa.
Porque cansas quem te quer e assustas o Futuro,
Afastaste-te precoce, e sem ti apenas restou
Um silêncio inimaginavelmente ensurdecedor.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
A velocidade da Fé e a distância de Deus
Parece-me que a fé é inextinguível. Bem - de acordo com a primeira lei da termodinâmica tudo o é.
Na noite estrelada da minha aldeia, sem poluições visuais que impeçam o olhar de alcançar Orion, Cassiopeia e outras constelações na cidade apagadas, vislumbro o cosmos como ele era antigamente, há milhares e, quiçá, milhões de anos. Tudo porque a luz desse cosmos é, concorrentemente à fé, limitada por uma velocidade.
Mas a fé também tem uma velocidade qualquer... Certamente, para a conhecermos, devemos primeiro perceber em que material se propaga esta brisa divina que diariamente faz acordar pessoas devotas com alegria e vontade. Não acredito que seja no ar, até porque no primeiríssimo versículo do Génesis está descrito que "Deus criou os céus e a terra". Ora, se a Bíblia principia com os dois elementos distintos do nosso mundo - terra e ar - sem que antes fale de luz, trevas e Vida, poderemos afirmar que Deus tem pinta de arquitecto e não de físico de partículas - considerando que a Fé pode ser dividida infinitesimalmente em indivisíveis corpúsculos, à semelhança da luz. Posto isto: Deus pensa no material antes de pensar no que nele se pode propagar. Por isso é que se baptizam as crianças e se crismam os jovens.
Deitada por terra a hipótese de conhecer a velocidade da Fé através do meio em que se propaga, vejamos quanto tempo demora esta a propagar-se desde a sua fonte até ao seu receptor. Aqui fica tudo mais interessante, até porque negar que a fonte da Fé é Deus seria deitar por terra milhares de anos de uma religião por gerações orquestrada. Mas ainda assim desconfio que a teoria da evolução se pode evocar divinamente. Ainda assim desconfio que Deus não é a origem da Fé. Deus não é a origem de nada. Parece-me.
Isto, dito assim, pode subentender alguma arrogância e ousadia perigosa. Portanto, para equilibrar a balança moral, ofereço uma hipótese: a Fé chega-nos antes de existir. Ao contrário do conforto, do medo e de todas as coisas que se sentem, a Fé é consequência da nossa incompreensão. Ora se não compreendemos, como podemos atribuir-lhe um dado físico como a distância ou sequer a existência?
Deus, concluo, é a incompreensão que move a Ciência e o Homem como um todo. Nunca se adorou uma pedra porque está parada num sítio e pode ver-se com clareza. Nunca se adorou uma pedra porque a pedra não nos diz nada e porque há muitas.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Diana
Deontológica Diana;
De saberes na fé enraizados,
O teu sabor de vida insana
Não faz jus à moralizada
Questão dos idos tempos.
Que questão pertinente...
Outrora: certos ventos;
Agora: quem cala, mente.
Na foz do rio, quando
Ele acaba e se torna mar,
Serás somente oxidação
Numa rota sem ar.
Impossível à visão,
Nada te fará abrandar.
De saberes na fé enraizados,
O teu sabor de vida insana
Não faz jus à moralizada
Questão dos idos tempos.
Que questão pertinente...
Outrora: certos ventos;
Agora: quem cala, mente.
Na foz do rio, quando
Ele acaba e se torna mar,
Serás somente oxidação
Numa rota sem ar.
Impossível à visão,
Nada te fará abrandar.
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