terça-feira, 3 de março de 2015

Errar é fixe, conas de merda!

Errare humanum est. Penso eu.

Não me cometo com exclusividade aos enganos graves que prejudicam as pessoas ao nosso redor quando vulgarizo a idiota falta de eficácia humana, comummente conhecida por 'erro'. Se mais tempo fosse aproveitado para discutir os problemas graves do mundo e as grandes questões - de voluptuosa natureza - seriamos todos mais felizes. Por certo, quem discorda disto nunca vislumbrou mamas de uma maneira extremamente esotérica.

O quanto são ridículos os adolescentes que incessantemente despojam largas horas afogados em pensamentos absurdos direccionados ao sexo oposto, cismando que talvez aquela particular interacção anteontem com aquela específica rapariga, ou rapaz, fosse mal efectuada e, doravante, interacções semelhantes passarão a ser consideradas erros. Ah - os grandes erros da adolescência infinita! Ah - como o mundo parece por vezes tão mal moldado por ti, vulgar adolescente insignificante.

Enfim, se esses erros forem os teus e não os de mais ninguém, erra com uma força enorme! Mas erra enquanto podes, porque por enquanto és adolescente e não és absolutamente mais nada - nem para ti nem para mais ninguém. Como consequência lógica disso, os teus erros também não são nada no panorama global dos erros diários cometidos por aqueles que fazem diferença no mundo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Elisa

Para Elisa o mundo brilha
E o suave piano dual começa.
O tempo sinfónico atravessa
Os atalhos que a vida trilha

Enquanto, pura, Elisa escuta
Com os seus grandes olhos.
Nestes dias de pequenos sonhos
E de estáticas e complexas lutas,

Ver compor por quem não ouve
A bela e alemã obra de piano,
Ainda que nem suspeitas houve

Do ancião e audaz amor leviano,
Faz calar as luzes e concretiza
Brilhante e eterna vida para Elisa.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O pálido ponto azul suspenso num raio de sol


Quando o Universo decidiu
À Terra dar a divina vida,
Ainda que agora perdida,
Não soube o que sentiu.

Na altura de hora crassa
Fez as terras e os rios;
Os homens, esculpiu-os
Pondo-lhes uma certa graça.

Olhou-nos por fim o Universo
Ao longe envolto, de leve,
Numa sólida lágrima breve,

Vendo o seu maior sucesso:
A Terra de norte a sul;
Este pálido ponto azul.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Soneto silencioso

Era tarde, sabíamos, para nos amarmos.
Ainda assim escolhemos os abraços sóbrios
Para serem o refúgio do nosso romance.
Esses abraços extensíveis no tempo...

Tantas estórias sobre o excessivo e enervante
Amor que denunciámos; quantas lutas lógicas
Tentámos, na esperança perdida de querer mais,
Um contra o outro, ferozes, impecáveis, dissipar.

Longe, onde moras, as pessoas casam com quem
Lhes pertence. Fazem filhos e dão-lhes a Vida
Que lhes resta... A ti deram-te a Morte certa.

Porque cansas quem te quer e assustas o Futuro,
Afastaste-te precoce, e sem ti apenas restou
Um silêncio inimaginavelmente ensurdecedor.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A velocidade da Fé e a distância de Deus

Parece-me que a fé é inextinguível. Bem - de acordo com a primeira lei da termodinâmica tudo o é.

Na noite estrelada da minha aldeia, sem poluições visuais que impeçam o olhar de alcançar Orion, Cassiopeia e outras constelações na cidade apagadas, vislumbro o cosmos como ele era antigamente, há milhares e, quiçá, milhões de anos. Tudo porque a luz desse cosmos é, concorrentemente à fé, limitada por uma velocidade.

Mas a fé também tem uma velocidade qualquer... Certamente, para a conhecermos, devemos primeiro perceber em que material se propaga esta brisa divina que diariamente faz acordar pessoas devotas com alegria e vontade. Não acredito que seja no ar, até porque no primeiríssimo versículo do Génesis está descrito que "Deus criou os céus e a terra". Ora, se a Bíblia principia com os dois elementos distintos do nosso mundo - terra e ar - sem que antes fale de luz, trevas e Vida, poderemos afirmar que Deus tem pinta de arquitecto e não de físico de partículas - considerando que a Fé pode ser dividida infinitesimalmente em indivisíveis corpúsculos, à semelhança da luz. Posto isto: Deus pensa no material antes de pensar no que nele se pode propagar. Por isso é que se baptizam as crianças e se crismam os jovens.

Deitada por terra a hipótese de conhecer a velocidade da Fé através do meio em que se propaga, vejamos quanto tempo demora esta a propagar-se desde a sua fonte até ao seu receptor. Aqui fica tudo mais interessante, até porque negar que a fonte da Fé é Deus seria deitar por terra milhares de anos de uma religião por gerações orquestrada. Mas ainda assim desconfio que a teoria da evolução se pode evocar divinamente. Ainda assim desconfio que Deus não é a origem da Fé. Deus não é a origem de nada. Parece-me.

Isto, dito assim, pode subentender alguma arrogância e ousadia perigosa. Portanto, para equilibrar a balança moral, ofereço uma hipótese: a Fé chega-nos antes de existir. Ao contrário do conforto, do medo e de todas as coisas que se sentem, a Fé é consequência da nossa incompreensão. Ora se não compreendemos, como podemos atribuir-lhe um dado físico como a distância ou sequer a existência?

Deus, concluo, é a incompreensão que move a Ciência e o Homem como um todo. Nunca se adorou uma pedra porque está parada num sítio e pode ver-se com clareza. Nunca se adorou uma pedra porque a pedra não nos diz nada e porque há muitas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Diana

Deontológica Diana;
De saberes na fé enraizados,
O teu sabor de vida insana
Não faz jus à moralizada

Questão dos idos tempos.
Que questão pertinente...
Outrora: certos ventos;
Agora: quem cala, mente.

Na foz do rio, quando
Ele acaba e se torna mar,
Serás somente oxidação

Numa rota sem ar.
Impossível à visão,
Nada te fará abrandar.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Rio Mondego

A fantasia mergulha,
Vaga, nas tuas ondas morenas.
Diante tuas passagens estreitas,
Concentrada está a tua Ciência;
A tua análise e Biologia completas.

Nada te faz falta porque
Ininterruptamente te destina
O desanimado Oceano.
Nem que sequem os céus...
Cursarás desde a nascente serrana
À foz de feição ribeirinha.

Passas por aqui porque
Assim o decidiste no teu rumo inicial.
Ou em significação consequente,
Porque assim a todos convém,
Decidiram aqui se fixar.
E tu, que és rio passivo, não negaste.

As tuas águas movem-se.
Nas tempestades és o dinâmico diabo.
Mas também és um rio.
Com origem e fim.
Assim, nunca dirás nada:
Nem que eu fale para ti.

Coimbra

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A definitiva análise canónica do epitélio malpighiano

Não encontro em ti quaisquer indícios que apontem directos para a tua fragilidade erótica. Segues uma linha de vida paralela aos teus desejos, cuja distância inalterável, por sorte, é facilmente anulada. Vive para os desejos - com compulsividade e admiração pródiga pelas loucuras que finges não cometer! Ah, doce rosto angelical, tão somente máscara.

És admirável por guardares atrás de ti o eterno milagre da vida.

E firmando os teus olhos, beijando os teus lábios, escrevendo o futuro num acto louco de amor, te vês espelhada nas estrelas, que não brilham hoje mas logo brilharão.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Poema do "Se"

Se te vês inserido numa fé,
Mas da nobre razão usurpado;
Se rezas para o bem universal,
Mas pecas a vida sentado;

Se na discórdia vês terror
E na falta argumentativa
Ainda te achas Senhor;
Se as opiniões para ti

São estacas profundamente
No teu solo de areia enterradas;
Se encontras somente amor

Na raiz de todo o final bem;
Então estuda: faz de conta
Que o mundo é todo teu.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

É a hora! Valete, Frates!

Imoral.

Ele foi o primeiro a desenhar.

Os "Canards" (patos; referência aos jornais franceses) voam mais alto que as armas.



Porquê?... (Espingarda? Kalashnikov? Granada?)

Que pequena arma é esta que nos fere tanto?



Eu sou Charlie.

Como se precisássemos de mais editores sisudos nas nossas costas, ameaçando cortes!



Oh, não... Estes não...






Estes cartoons foram desenhados por artistas um pouco por todo o mundo como forma de resposta ao atentado terrorista à redacção do Charlie Hebdo.

Que se una a arte ao protesto e o incómodo à liberdade de expressão.

Todos os desenhos estão assinados pelos devidos autores.