Isolem-me do mundo,
façam-me o que quiserem.
Só não me tirem a vontade
de ser algo de feliz.
De sentir a vida parada,
de ter sonhos violeta
e de ser pequeno para sempre.
De comprar doces e gostar,
de ser feliz a brincar,
de ver asas no carro
cortando montanhas
e paisagens estranhas
na berma do sonho.
O amor de gente crescida
tira tempo e tira vida,
colhe sonhos pela raiz
e deixa morrer o petiz.
domingo, 7 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Conselho vertical
Decai o pensamento, limitando-o
define-te
transforma-te
expõe-te confortavelmente
inteira fisicamente objectos ideais
trabalha por ti
ama a tua criação. Saúda o sucesso.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Meia-noite em Lisboa
Quantas vezes me vi já nas ruas luxuosas de Lisboa dos finais do século XIX ou inícios do XX a passear entre a fina e expressiva sociedade portuguesa de artistas românticos e modernistas. Nos sonhos posso ser a carne e alma de um viajante futuro, com premissas elevadas de conhecimentos póstumos a reviver aquilo que os livros dos quais nunca ninguém ouviu falar nos contam com detalhes esplêndidos.
Vou narrar um sonho particular que generalizou a minha ideia da sociedade daquele tempo, em que Fernando Pessoa era um desconhecido popular e a poesia e arte plástica passeavam nas ruas de mãos dadas com o pensamento sorridente de um jovem poeta d'Orpheu, futurista e tudo, chamado José de Almada Negreiros, que é personagem principal num conto fictício que toma apenas o sonho como real.
Havia passado quatro anos e três meses desde que Portugal mudara o seu sistema político de reis para presidentes, de nobres para ricos, de clero para encalhados. Sabia disto porque segurava intacta na mão a primeira tiragem da revista Orpheu, editada por ilustres personalidades do início do século em que me encontrava, estudados impiedosamente no século em que dormia, e cujos nomes figuravam na primeira página. Também notei através de uma placa junto ao Arco Triunfal que o espaço do meu sonho era a Praça do Comércio, só chamada assim pelos incultos de alma que no sangue não têm vontade alguma de sonhar e de descobrir sorrisos nas pessoas transeuntes; talvez por isso a plaqueta não referisse que o sítio onde aquele grande Arco convida a Rua Augusta a começar se chama até hoje, verdadeiramente, Terreiro do Paço.
Era Janeiro e estava uma noite fria. Como sabia que estava a sonhar tornei-me fantasma: flutuante, invisível, imperceptível, incapaz de alterar o rumo lógico dos acontecimentos da minha imaginação naquele breu de sono. Senti-me como um narrador heterodiegético e observador; não controlava nada porque não era assim o meu desejo; não sabia nada porque se não estivesse a dormir nada saberia também. Porém, devido à frescura invernal, podia ver um indivíduo magro, baixo, de cabelo curto e estranho, cara ainda mais estranha e corpo desproporcional a expelir ar quente, ofegantemente, enquanto corria por entre as arcadas meio iluminadas à esquerda do Arco. Fiz-me querer, sem certeza nenhuma, mas porque o sonho era meu e me parecia alguém conhecido, que se tratava do Mestre Almada Negreiros. No entanto, qual mestre era ele naquela altura, com vinte e um anos, jovem feio e sem sucesso, desencontrado com a vida que não lhe era precisa, utilizada apenas para ter contacto com outros artistas no Martinho da Aracada que lhe tinha predestinado a correria.
Assim sendo, entrei nesse espaço onde a cultura se respira e onde nunca estive acordado, razão pela qual o meu sonho tratou de inventar uma espelunca qualquer, que se parecesse com o século XIX, apesar de estar no XX e de saber que o sonho estava a perder detalhe, e com isso veracidade. O jovem Almada entrou calmamente - em contraste com a pressa que trazia - e na mesa onde se reuniam os artistas com desgraças comuns apenas encontrou um gordo, que eu presumi ser Mário de Sá Carneiro, porque nunca na vida vi qualquer representação do seu físico e para que tudo batesse certo e o sonho fosse do meu agrado, assim se continuou a história. Almada chegou junto dele e lamentou os quarenta e cinco minutos que trazia atrasados - ou três quartos de hora, como ele disse, por pensar ser artista geométrico e remeter para proporções do círculo horário - e ainda mais lamentou quando percebeu que Fernando Pessoa estava ainda mais atrasado. Quando percebi que se tratava de uma reunião para elaborar a segunda tiragem da revista Orpheu, porque estava a decorrer o ano de mil novecentos e quinze a a primeira edição estava na minha posse, concluí que Pessoa havia feito jus à sua poesia, descartando as interacções sociais, chegando propositadamente atrasado, não querendo enfim saber do passar das horas, sinal da inevitabilidade fatal da vida.
Os dois poetas durante horas conversaram acerca de diversas temáticas: ora Eça de Queirós era um maricas com detalhes excessivos, ora Júlio Dantas possuía um odor oral desagradável; ora a poesia romântica era cocó, ora o modernismo é que era giro, bonito e agradável. Com isto, rapidamente se fizeram oito horas da noite e finalmente entrou pela porta imaginada o épico, o agradavelmente irreverente, sublime, o impossivelmente adjectivado, Fernando António Nogueira Pessoa. Assim que entrou, acenou alegremente à dupla de parvos sentados há duas horas naqueles lugares e mandou vir um copo de água pé. Como Pessoa me pertencia, naquele momento, por ser imagem do meu pensamento, já estava a prever o futuro, embora a minha característica não participante e observador: em breves momentos, julgava eu, Fernando começaria um discurso lírico e belo, enchendo o espírito poético daqueles dois, começando por isso a chover ideias glamurosas para a Orpheu 2, elevando o espírito artístico do espaço semi preenchido pela sociedade culta.
Pelo contrário. Pessoa sentou-se e não utilizou a boca senão para beber. Os outros dois falavam com ele sobre ideias, sobre possibilidades de expressão, acerca até da porcaria que se desenhava nas suas vidas. Fernando Pessoa apenas respondia palavras mínimas, palavras de quem pelo menos toma a mínima atenção aos problemas que a ele parecem não pertencer, quando sabemos que na verdade aquela tripla tinha exactamente os mesmos problemas, que doem e não se curam, que entram e se saírem não saem iguais. Palavras curtas que escondiam dores intensas naquele ser humano que ninguém compreende por isso.
Então, uma revolta sorridente apoderou-se de mim, não fiquei desapontado, nem desiludido. Com o sonho que tivera, apenas me esclareci. Vi Fernando Pessoa como realmente é: humano, demasiadamente humano. Vi um jovem que não sabia se era poeta ou pintor, degredado na sua própria vida, que viu em Fernando Pessoa a verdadeira iluminação artística. Vi um Sá Carneiro ausente, alguém que não conhecia mas que se desprendeu da sua própria vida um ano e três meses depois; não aguentou o fluxo e viu na morte o conforto desejado por Pessoa e Almada.
Depois acordei, era de manhã e deixei-me ficar deitado na eventualidade do sono me apanhar novamente desprevenido.
Vou narrar um sonho particular que generalizou a minha ideia da sociedade daquele tempo, em que Fernando Pessoa era um desconhecido popular e a poesia e arte plástica passeavam nas ruas de mãos dadas com o pensamento sorridente de um jovem poeta d'Orpheu, futurista e tudo, chamado José de Almada Negreiros, que é personagem principal num conto fictício que toma apenas o sonho como real.
Era Janeiro e estava uma noite fria. Como sabia que estava a sonhar tornei-me fantasma: flutuante, invisível, imperceptível, incapaz de alterar o rumo lógico dos acontecimentos da minha imaginação naquele breu de sono. Senti-me como um narrador heterodiegético e observador; não controlava nada porque não era assim o meu desejo; não sabia nada porque se não estivesse a dormir nada saberia também. Porém, devido à frescura invernal, podia ver um indivíduo magro, baixo, de cabelo curto e estranho, cara ainda mais estranha e corpo desproporcional a expelir ar quente, ofegantemente, enquanto corria por entre as arcadas meio iluminadas à esquerda do Arco. Fiz-me querer, sem certeza nenhuma, mas porque o sonho era meu e me parecia alguém conhecido, que se tratava do Mestre Almada Negreiros. No entanto, qual mestre era ele naquela altura, com vinte e um anos, jovem feio e sem sucesso, desencontrado com a vida que não lhe era precisa, utilizada apenas para ter contacto com outros artistas no Martinho da Aracada que lhe tinha predestinado a correria.
Assim sendo, entrei nesse espaço onde a cultura se respira e onde nunca estive acordado, razão pela qual o meu sonho tratou de inventar uma espelunca qualquer, que se parecesse com o século XIX, apesar de estar no XX e de saber que o sonho estava a perder detalhe, e com isso veracidade. O jovem Almada entrou calmamente - em contraste com a pressa que trazia - e na mesa onde se reuniam os artistas com desgraças comuns apenas encontrou um gordo, que eu presumi ser Mário de Sá Carneiro, porque nunca na vida vi qualquer representação do seu físico e para que tudo batesse certo e o sonho fosse do meu agrado, assim se continuou a história. Almada chegou junto dele e lamentou os quarenta e cinco minutos que trazia atrasados - ou três quartos de hora, como ele disse, por pensar ser artista geométrico e remeter para proporções do círculo horário - e ainda mais lamentou quando percebeu que Fernando Pessoa estava ainda mais atrasado. Quando percebi que se tratava de uma reunião para elaborar a segunda tiragem da revista Orpheu, porque estava a decorrer o ano de mil novecentos e quinze a a primeira edição estava na minha posse, concluí que Pessoa havia feito jus à sua poesia, descartando as interacções sociais, chegando propositadamente atrasado, não querendo enfim saber do passar das horas, sinal da inevitabilidade fatal da vida.
Os dois poetas durante horas conversaram acerca de diversas temáticas: ora Eça de Queirós era um maricas com detalhes excessivos, ora Júlio Dantas possuía um odor oral desagradável; ora a poesia romântica era cocó, ora o modernismo é que era giro, bonito e agradável. Com isto, rapidamente se fizeram oito horas da noite e finalmente entrou pela porta imaginada o épico, o agradavelmente irreverente, sublime, o impossivelmente adjectivado, Fernando António Nogueira Pessoa. Assim que entrou, acenou alegremente à dupla de parvos sentados há duas horas naqueles lugares e mandou vir um copo de água pé. Como Pessoa me pertencia, naquele momento, por ser imagem do meu pensamento, já estava a prever o futuro, embora a minha característica não participante e observador: em breves momentos, julgava eu, Fernando começaria um discurso lírico e belo, enchendo o espírito poético daqueles dois, começando por isso a chover ideias glamurosas para a Orpheu 2, elevando o espírito artístico do espaço semi preenchido pela sociedade culta.
Pelo contrário. Pessoa sentou-se e não utilizou a boca senão para beber. Os outros dois falavam com ele sobre ideias, sobre possibilidades de expressão, acerca até da porcaria que se desenhava nas suas vidas. Fernando Pessoa apenas respondia palavras mínimas, palavras de quem pelo menos toma a mínima atenção aos problemas que a ele parecem não pertencer, quando sabemos que na verdade aquela tripla tinha exactamente os mesmos problemas, que doem e não se curam, que entram e se saírem não saem iguais. Palavras curtas que escondiam dores intensas naquele ser humano que ninguém compreende por isso.
Então, uma revolta sorridente apoderou-se de mim, não fiquei desapontado, nem desiludido. Com o sonho que tivera, apenas me esclareci. Vi Fernando Pessoa como realmente é: humano, demasiadamente humano. Vi um jovem que não sabia se era poeta ou pintor, degredado na sua própria vida, que viu em Fernando Pessoa a verdadeira iluminação artística. Vi um Sá Carneiro ausente, alguém que não conhecia mas que se desprendeu da sua própria vida um ano e três meses depois; não aguentou o fluxo e viu na morte o conforto desejado por Pessoa e Almada.
Depois acordei, era de manhã e deixei-me ficar deitado na eventualidade do sono me apanhar novamente desprevenido.
sábado, 30 de março de 2013
Apenas tem um pouco de fé
Acordas e sentes um vazio de alma, de identidade. Um súbito momento - o momento em que despertaste, em que o teu corpo deixou de estar num estado de sonolência para passar a realizar metabolismos biológicos, orgânicos e neurológicos - foi o suficiente para que uma nova realidade se instalasse em ti, que crescesse exponencialmente, que ocupasse toda a tua preocupação momentânea. Pensas vagamente em tudo o que fazes durante o teu dia: levantas-te, vestes-te, comes, trabalhas e, em instantes que deveriam ser de distracção, finges estar entretido por um aparelho multimédia. Com o pensamento vem a sua consequência: descobres que tudo isto, estes costumes diários, esta rotina deambulatória, não te preenchem, não te definem nem fazem de ti o que realmente queres ser. Sentes-te angustiado, asfixiado pela realidade que te atinge tão friamente, tão eficazmente e repentinamente que um tiro, nesta situação, parceria uma leve carícia. Choras em vão por saberes de ti pouco mais que o teu nome: nome esse tão próprio que nem foras tu que o escolheras; choras por seres o resultado de sonhos passados, de angústias e devaneios de outras pessoas, por te veres condicionado e guiado por opções que não foram feitas por ti, foram feitas por quem, durante este tempo todo, chamaste "pais". Ocorre-te, porém, que essa revolta pela tristeza abafada e pelas lágrimas amainada pode mudar alguma coisa que, com esperança, se possa transformar em tudo. Por pensares de modo tão inquieto chegas por fim a uma conclusão: todas as perguntas que podem ser feitas cabem noutras duas que não podem ser feitas: "Quem sou eu?"; "Porque sou eu?". A chegada racional a estas interrogações param o desespero e a ansiedade porque a sua impossibilidade de terem uma resposta imediata te obrigam a, continuamente, progressivamente, ao longo de um tempo de vida, procurares a tal solução. Ainda deitado, mas mais desperto, concluis que cabe a ti preencheres a tua vida, a tornar cada dia único, cada momento inesquecível, cada memória sorriso. Apercebes-te como é difícil alcançar a facilidade de ser feliz, mas o desejo em ti implantado faz-te um brilho nos olhos que certamente te firmará um sorriso verdadeiro e único nos teus lábios ansiosos por dizer a frase "sou feliz". E é nesse preciso instante que estás deitado numa cama no centro do teu universo, com um sorriso inexplicável na cara, com a força de mil cavalos dentro de ti para iniciares a jornada que é dar um sentido à vida.
Deus est solus scrutator cordium.
Deus est solus scrutator cordium.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Julieta
Pego numa caneta e escrevo:
procuro na folha alento,
na tinta o sangue de teu servo,
nos que lêem algum talento.

Já fiz belas obras poéticas:
umas serviram de morte
às pessoas patéticas
que não encontram o norte,
outras foram muito lindas,
mas nunca seriam entendidas
no prazer de serem lidas,
pois há nas letras coisas escondidas.
Se um poeta ao escrever
oferece apenas amor,
na sua mente, há que ver,
não existe nada mais que dor.
procuro na folha alento,
na tinta o sangue de teu servo,
nos que lêem algum talento.

Já fiz belas obras poéticas:
umas serviram de morte
às pessoas patéticas
que não encontram o norte,
outras foram muito lindas,
mas nunca seriam entendidas
no prazer de serem lidas,
pois há nas letras coisas escondidas.
Se um poeta ao escrever
oferece apenas amor,
na sua mente, há que ver,
não existe nada mais que dor.
Etiquetas:
poesia
quarta-feira, 20 de março de 2013
Inspiração
Tudo o que me resta é fugir.
Poderia dizer que o ideal
seria lutar, não desistir.
Mas em que se suporta
essa insistência, que apenas
me dá dormência e tristeza?
Porra, que sou o que não sou.
Vejo-me, talvez em sonhos,
a lutar e a conseguir, a idealizar
conceitos concretizados e
ideias que são minhas e únicas.
Que raiva, que vazio de pensamento,
que se me dá para explicar,
mais vago fica esse tormento,
com mais coisa nenhuma se preenche.
Triste coração decadente,
que tenta combater
esse encéfalo dormente.
Ah, os dois tendem em preencher
tudo além do coração e da mente.
E nesta criação, vejo, nada criei.
Poderia dizer que o ideal
seria lutar, não desistir.
Mas em que se suporta
essa insistência, que apenas
me dá dormência e tristeza?
Porra, que sou o que não sou.
Vejo-me, talvez em sonhos,
a lutar e a conseguir, a idealizar
conceitos concretizados e
ideias que são minhas e únicas.
Que raiva, que vazio de pensamento,
que se me dá para explicar,
mais vago fica esse tormento,
com mais coisa nenhuma se preenche.
Triste coração decadente,
que tenta combater
esse encéfalo dormente.
Ah, os dois tendem em preencher
tudo além do coração e da mente.
E nesta criação, vejo, nada criei.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Poema de amor
Lá vem meu amor
de alma inocente.
Guarda fulgor
no peito ardente
e consciência de dor
que não sabe o que sente.

Vem vestida de cor
vermelha; mente
modesta e fala melhor
pelo coração carente,
genuíno e fingidor
do que pela boca que mente.
Evita ser olhada
pelo rosto acutilante;
diz ser duplamente facetada,
com o olhar penetrante
e a parte duvidosa desejada.
Mas meu amor pode descansar:
tenho o poder apaixonado
de ser capaz de sentir e observar,
de ter um mundo abandonado
só para mim, de conservar
aquela alegria de ser amado
e a grande dor de amar.
de alma inocente.
Guarda fulgor
no peito ardente
e consciência de dor
que não sabe o que sente.

Vem vestida de cor
vermelha; mente
modesta e fala melhor
pelo coração carente,
genuíno e fingidor
do que pela boca que mente.
Evita ser olhada
pelo rosto acutilante;
diz ser duplamente facetada,
com o olhar penetrante
e a parte duvidosa desejada.
Mas meu amor pode descansar:
tenho o poder apaixonado
de ser capaz de sentir e observar,
de ter um mundo abandonado
só para mim, de conservar
aquela alegria de ser amado
e a grande dor de amar.
domingo, 10 de março de 2013
Análise
Só tenho escrito poemas.
Não há altura nenhuma
em que apeteca escrever uma
novela ou um ensaio
essencial corrido de
pensamentos e características
do que os homens são por dentro.
Tem sido tudo negativo,
desafortunado de lógica
e governado pelos sentimentos.
Agora caio novamente
em verso decadente.
Talvez por me sentir vazio,
no ócio de fazer tudo,
não tenha feito nada.
Sou só um escritor.
Não grito nem proclamo
novas modas ou estilos,
não sou original nem tenho
ideias próprias que ninguém
teve ainda. Muito menos
faço planos no que devo
fazer e modestamente pensar.
Depois falam-me em sorte,
como se a fizessem.
Sorte têm aqueles que sofrem
por amor, porque sabem
do que sofrem, conhecem
o problema e lutam pela solução.
Mas eu, por nada sofro,
por nada vivo, por nada respiro.
Se morro um dia, é porque
quem sou já está morto.
Não há altura nenhuma
em que apeteca escrever uma
novela ou um ensaio
essencial corrido de
pensamentos e características
do que os homens são por dentro.
Tem sido tudo negativo,
desafortunado de lógicae governado pelos sentimentos.
Agora caio novamente
em verso decadente.
Talvez por me sentir vazio,
no ócio de fazer tudo,
não tenha feito nada.
Sou só um escritor.
Não grito nem proclamo
novas modas ou estilos,
não sou original nem tenho
ideias próprias que ninguém
teve ainda. Muito menos
faço planos no que devo
fazer e modestamente pensar.
Depois falam-me em sorte,
como se a fizessem.
Sorte têm aqueles que sofrem
por amor, porque sabem
do que sofrem, conhecem
o problema e lutam pela solução.
Mas eu, por nada sofro,
por nada vivo, por nada respiro.
Se morro um dia, é porque
quem sou já está morto.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Esgotei os títulos
Revolucionária situação
criada pela imaginação,
em que te suportas tu?
Vens ingénua, ambígua:
Cheia de coisas que não importam.
(E se importassem, para que dariam?)
Escasseias de precisão
e és impossível ser
exacta e escrita na letra.
Em exclusivo te configuro,
assim te vejo, multidimensional,
intransponível no tempo,
inconsiderável no espaço...
Não pertences a nada.
Nada abstracto...
No que te vejo, não me pareces.
O que é o nada, enfim?
O limite do tudo, verosimilhança
da pequenez das coisas pequenas.
Mas a coisa que na imaginação
se dava grande, vai diminuta como
a razão vai com o tempo...
Por te definir, te limitei, pensamento.
Por te desenvolver te completei, ideal.
Quero ser feliz, com um possível sentimento
de querer ser feliz... Tal e qual.
criada pela imaginação,
em que te suportas tu?
Vens ingénua, ambígua:
Cheia de coisas que não importam.
(E se importassem, para que dariam?)
Escasseias de precisão
e és impossível ser
exacta e escrita na letra.Em exclusivo te configuro,
assim te vejo, multidimensional,
intransponível no tempo,
inconsiderável no espaço...
Não pertences a nada.
Nada abstracto...
No que te vejo, não me pareces.
O que é o nada, enfim?
O limite do tudo, verosimilhança
da pequenez das coisas pequenas.
Mas a coisa que na imaginação
se dava grande, vai diminuta como
a razão vai com o tempo...
Por te definir, te limitei, pensamento.
Por te desenvolver te completei, ideal.
Quero ser feliz, com um possível sentimento
de querer ser feliz... Tal e qual.
sábado, 2 de março de 2013
Dizem que o amor
Dizem que o amor
dá vontades imensas;
de abraçar
de beijar
de sonhar
de viver
de ter emoções intensas.
Dizem que o amor
não fala, não explica;
se falasse, que diria?
se sentisse, que faria?
Dizem que do amor
não se sabe nada,
e que destina rancor
a quem o guarda.
Dizem, mil vezes
dizendo, que quem
ama vai sofrendo.
Que fala curto
e baixinho,
diz o que não pensa
porque não pensa.
E se o amor cair,
que caia a vida,
pois de vida não
se faz o amor, mas
de amor se faz a vida.
dá vontades imensas;
de abraçar
de beijar
de sonhar
de viver
de ter emoções intensas.
Dizem que o amornão fala, não explica;
se falasse, que diria?
se sentisse, que faria?
Dizem que do amor
não se sabe nada,
e que destina rancor
a quem o guarda.
Dizem, mil vezes
dizendo, que quem
ama vai sofrendo.
Que fala curto
e baixinho,
diz o que não pensa
porque não pensa.
E se o amor cair,
que caia a vida,
pois de vida não
se faz o amor, mas
de amor se faz a vida.
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