quarta-feira, 20 de março de 2013

Inspiração

Tudo o que me resta é fugir.
Poderia dizer que o ideal
seria lutar, não desistir.
Mas em que se suporta
essa insistência, que apenas
me dá dormência e tristeza?

Porra, que sou o que não sou.
Vejo-me, talvez em sonhos,
a lutar e a conseguir, a idealizar
conceitos concretizados e
ideias que são minhas e únicas.

Que raiva, que vazio de pensamento,
que se me dá para explicar,
mais vago fica esse tormento,
com mais coisa nenhuma se preenche.

Triste coração decadente,
que tenta combater
esse encéfalo dormente.

Ah, os dois tendem em preencher
tudo além do coração e da mente.

E nesta criação, vejo, nada criei.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Poema de amor

Lá vem meu amor
de alma inocente.
Guarda fulgor
no peito ardente
e consciência de dor
que não sabe o que sente.

Vem vestida de cor
vermelha; mente
modesta e fala melhor
pelo coração carente,
genuíno e fingidor
do que pela boca que mente.

Evita ser olhada
pelo rosto acutilante;
diz ser duplamente facetada,
com o olhar penetrante
e a parte duvidosa desejada.

Mas meu amor pode descansar:
tenho o poder apaixonado
de ser capaz de sentir e observar,
de ter um mundo abandonado
só para mim, de conservar
aquela alegria de ser amado
e a grande dor de amar.

domingo, 10 de março de 2013

Análise

Só tenho escrito poemas.
Não há altura nenhuma
em que apeteca escrever uma
novela ou um ensaio
essencial corrido de
pensamentos e características
do que os homens são por dentro.

Tem sido tudo negativo,
desafortunado de lógica
e governado pelos sentimentos.

Agora caio novamente
em verso decadente.
Talvez por me sentir vazio,
no ócio de fazer tudo,
não tenha feito nada.
Sou só um escritor.

Não grito nem proclamo
novas modas ou estilos,
não sou original nem tenho
ideias próprias que ninguém
teve ainda. Muito menos
faço planos no que devo
fazer e modestamente pensar.

Depois falam-me em sorte,
como se a fizessem.
Sorte têm aqueles que sofrem
por amor, porque sabem
do que sofrem, conhecem
o problema e lutam pela solução.

Mas eu, por nada sofro,
por nada vivo, por nada respiro.
Se morro um dia, é porque
quem sou já está morto.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Esgotei os títulos

Revolucionária situação
criada pela imaginação,
em que te suportas tu?
Vens ingénua, ambígua:
Cheia de coisas que não importam.
(E se importassem, para que dariam?)
Escasseias de precisão
e és impossível ser
exacta e escrita na letra.

Em exclusivo te configuro,
assim te vejo, multidimensional,
intransponível no tempo,
inconsiderável no espaço...
Não pertences a nada.
Nada abstracto...
No que te vejo, não me pareces.

O que é o nada, enfim?
O limite do tudo, verosimilhança
da pequenez das coisas pequenas.
Mas a coisa que na imaginação
se dava grande, vai diminuta como
a razão vai com o tempo...

Por te definir, te limitei, pensamento.
Por te desenvolver te completei, ideal.
Quero ser feliz, com um possível sentimento
de querer ser feliz... Tal e qual.

sábado, 2 de março de 2013

Dizem que o amor

Dizem que o amor
dá vontades imensas;
de abraçar
de beijar
de sonhar
de viver
de ter emoções intensas.

Dizem que o amor
não fala, não explica;
se falasse, que diria?
se sentisse, que faria?

Dizem que do amor
não se sabe nada,
e que destina rancor
a quem o guarda.

Dizem, mil vezes
dizendo, que quem
ama vai sofrendo.
Que fala curto
e baixinho,
diz o que não pensa
porque não pensa.

E se o amor cair,
que caia a vida,
pois de vida não
se faz o amor, mas
de amor se faz a vida.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Conselhos

Hoje em dia não tenho sido eu.

Tenho dado conselhos indecentes,
tenho visto outros na minha alma,
o meu instinto revisto nessas mentes
que dizem sentir com maior calma.
Não estão todavia espelhados perante
eles meu sentimento sombrio, titubeante.

Tenho dito que tudo vale a pena,
já que é vã a vida e passa uma vez,
como uma tarde agradável e serena,
um sentir único guardado na lucidez
futura, aguardada intocável quando
a fria água última fica a alma esperando.

Oh, tenho falsamente mentido tanto,
sofrendo horríveis angustias alheias,
inspirando transtornos com quanto
pesar me é possível, dividir a meias
sentimentos permanentes revisitados,
situações de amores ambicionados.

Meu coração frágil palpita como fino
brinquedo inquebrável na mão
desocupada daquele brincalhão
que escreve sinuoso, que é o Destino.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O que é o amor?

Já me interroguei várias vezes e de diversas maneiras: o que é o amor? Uma pergunta tão curta, tão simples e tão fácil de surgir, mas dificílimo - se não impossível - de responder concreta e definitivamente.
Confesso que numa primeira abordagem à temática mais abstracta que o divino ser Humano consegue almejar senti a necessidade de indagar por caminhos que outros tomaram para explicarem ideologicamente o que é afinal, o amor. Procurei na wikipedia esse abstraccionismo sentimental e poucos minutos depois, por via de encaminhamentos de conceitos e páginas dentro desse verbete, estava perante platonismos e outras filosofias aborrecidas com significado incógnito. Esse enfatídico incómodo porém não me prendeu nas estreitas vielas de sentido único da filosofia e achei que o melhor seria expor o meu inocente ponto de vista no blog que amo - parece-me adequado!
O amor, a meu ver, vem com a idade. Não digo que uma criança de 12 anos (mas que escândalo considerar que alguém com 12 anos ainda é criança) não possa sentir amor verdadeiro e genuíno, mas digo que ama sem saber ou pensa que ama e não ama. Isto significa que na adolescência acontecem metamorfoses psicológicas que tornam a mente indisciplinada, já que é notória a falta de interesse de grande parte dos adolescentes púberes em conhecer este belo sentimento, em sentir as suas inexplicáveis sensações e em viver uma dualidade única com a pessoa amada. Infelizmente caminhamos para modelos de adolescência cada vez mais automáticos, ou seja, cada vez mais influenciados por situações socialmente maciças, que privilegiam os sentimentos fingidos e negativos. Porém, os adolescentes são únicos no aspecto criativo, conseguem superar qualquer realidade que os limite - o sentimento do amor é uma delas - apenas pela força de vontade, visto que ainda têm tantas vivências pela frente. Ora, este processo é quase inconsciente, mas necessário - a espécie humana tem que ser espontânea, fluída e criativa.
Voltando ao amor, desta feita em relação aos adultos, mas adultos com experiências e consequências aprendidas na adolescência, considero que é um dos sentimentos que comanda a pessoa e rege escolhas e possibilidades, traçando assim caminhos para a vida. O amor não é só interpessoal, (se bem que a mais bonita forma dele seja, a meu ver, entre duas pessoas) pois existe também o amor próprio, que tanta importância tem na auto-estima e consequentemente no processo de "conquista amorosa"; o amor colectivo, entre as famílias, amigos e um dos intervenientes na "zona da amizade"; e o amor divino ou, como gosto mais, amor filosófico, que é o sentimento de devoção e adoração de uma entidade divina - vulgo deus/Deus- ou entidade abstracta, como elementos da natureza ou o próprio conhecimento. Todas estas formas de amor e demonstração afectiva são bastante válidas, mas todas implicam a abdicação de ideais físicos, de coisas concretas, da realidade terrena, para que as vivências sentimentais sejam magnificadas. ("fazer amor" é uma situação onde o físico tem uma importância tremenda, por isso acho que o meu raciocínio tem lacunas.)
Portanto, as minhas considerações finais recaem no aspecto mais belo da vida humana - o amor interpessoal, ou entre duas pessoas. Quando digo "entre duas pessoas" refiro-me a pessoas com sexos diferentes, porque aí sim, a beleza do amor acontece. O amor entre um homem e uma mulher é tão maravilhoso como um pôr-do-sol de verão numa praia deserta ou negras amoras que recheiam um doce açucarado e delicioso. E assim, apenas por metáforas e sentidos inconcretos, se pode explicar o sentimento que molda os outros sentimentos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sozinho

Num recinto barulhento,
nem eu conseguia ouvir
aquele doce tormento
que me fazia sentir,
vindo do meu pensamento.

O som, porém, era lento.
Alguns queriam até sorrir,
de ironia, de descontentamento,
pelo que estava para vir.
Como lhes servisse de alento...

Eu parava, escutava e olhava,
tudo o que fora de mim estava
me vinha com ligeiro atraso.
Aos outros viria, com muito arraso,
no tempo certo, porque tais
eram todos os mesmos iguais.

Eu era só um, alguém
que pensava sozinho.
Os outros, não eram ninguém.
Esperavam que o seu caminho
fosse único e feliz, sem
coincidir com o que alinho.

Estão distantes do olhar, agora.
Questionava-me acerca do som,
o que gerava a sua demora?
Era a razão que num só tom
me fazia saber a hora
a que meu glorioso dom
me deixava ir embora

desse desassossego ocioso.
Foram sozinhos sem barulho
com correntes e ar penoso,
foram guardados do orgulho
ingénuo, bárbaro e avultoso.

Aí fui só eu, de coração
latejante e alma perdida,
mas com qualquer razão
sobrante posta em medida,
para abraçar a solidão
alcançada  pela verdade destemida.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

There you are

There you are, on the wave beneath
the time, attached to the place you see.
Focused in your illusion, on the relieve
of thousands drowned in the stormy sea.

There you are, at the sparky height of low,
believing on the flawless dream you've been.
Regardless the time and place you follow
the ones who thought they'd never seen.

There you are, beauty prodigy who stare
the light that blurs the pathway to lore.
Turning the soft reality to an harsh nightmare,
you find yourself struggling to go ashore.

There you are, noticing the sweet redemption
that is closer than the wave you were on.
The end is near, the thunder I hear.

You've fallen dead and cold,
the future to your son you sold,
he is now the one who thinks
you'd never seen the thousand sinks.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sinédoque

Como tudo é pequeno...
Um coração é pequeno
para tudo o que sente,
não fosse ele sentir
e dar à mente o
poder de decidir
se quer sentir ou
pensar por palavras.
Palavras... Que fazem
falar a mente do coração
que pensa com emoção
e dá à razão motivos
para ser razão racional
relacionada com a ideal
ideia difundida pelo coração.
Um altifalante é um altifalante.
Um megafone é um altifalante.
A boca é um altifalante.
Eu sou um ser falante.
Eu sinto e penso, penso que
quero sentir, fazer o senso
decidir o que penso.
Ideias... Coisas... Tudo...
Cérebro meu que quer
descanso, coração meu
que está cansado,
palavras minhas
que estão gastas.
Corridas aleatórias à
fluência saída do molde
assente no meu
poder de saber que penso.
Estrofe... Como não te cansas?
O ser pensa e a pensar sente.