segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sinédoque

Como tudo é pequeno...
Um coração é pequeno
para tudo o que sente,
não fosse ele sentir
e dar à mente o
poder de decidir
se quer sentir ou
pensar por palavras.
Palavras... Que fazem
falar a mente do coração
que pensa com emoção
e dá à razão motivos
para ser razão racional
relacionada com a ideal
ideia difundida pelo coração.
Um altifalante é um altifalante.
Um megafone é um altifalante.
A boca é um altifalante.
Eu sou um ser falante.
Eu sinto e penso, penso que
quero sentir, fazer o senso
decidir o que penso.
Ideias... Coisas... Tudo...
Cérebro meu que quer
descanso, coração meu
que está cansado,
palavras minhas
que estão gastas.
Corridas aleatórias à
fluência saída do molde
assente no meu
poder de saber que penso.
Estrofe... Como não te cansas?
O ser pensa e a pensar sente.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Tudo absoluto

Vem comigo passear:
ver o céu e ver o mar
que o espelha tão
claro e relutante, já
que não tem coisa
outra para espelhar.
(Tamanho grande em vão).

Volta-te para mim:
deixa-me o olhar
luzido de louça,
cristal e límpida.
Porcelana pura,
olhos obscuros
na vista de amargura.

Num relance, renasces.
Observas com um olhar
tudo o que conquistaste.
E questionas-te
porque duraste,
como tudo é fugaz:
tudo o que fizeste ou deste.

E não param.
Vêm como pragas.
Invadem a primavera
que é a tua criação,
o teu verão que
flora na imaginação.
São tudo perguntas.

Mas tudo é em vão.
Lacuna de pensamento.
Inutilidade de espaço,
perda de tempo.
Tudo é pequeno
na escala serena
do meu coração pensante.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Isaac Newton, sir!

Hoje escreverei livremente.
Há dias em que a capacidade cognitiva humana depende da capacidade sensível e emocional, que é moldada pela sociedade. Houve talvez uma personalidade histórica - fascinantemente admirada por mim - que privou continuamente da sua vida a dicotomia entre a razão concreta e os sentimentos abstractos.
Hábitos consistentes eram a sua arma secreta para manter a mente superior ao coração, fazendo deles uma realidade que o prejudicou socialmente mas que o colocou num nível intelectual inédito até hoje. Honro neste dia, tão vulgar como os outros, um homem tão vulgar como os outros: Isaac Newton. Habitualmente abordo conceitos abstractos neste blog, mas mesmo assim existe algo tão abstracto neste inglês que interdita o pensamento de o compreender.
Haveremos portanto de começar com o oxímoro que foi a vida dele:
Havia passado um ano desde que obtivera o diploma que o qualificava em Humanidades, curso que pouco o entusiasmava e resultado de um usufruto de uma bolsa de estudo obtida por ser tão habilitado à Matemática do seu século, quando a peste que clareza não trazia tomou por assalto a Inglaterra cosmopolita, em 1665. Herdeiro de uma quinta que à sua infância assitira, o jovem Isaac isolou-se por dois anos da peste, do mundo, das pessoas, do dinheiro, dele próprio e de todas as partes que o constituíam. Hesitante, guardou para si a única coisa que os outros queriam: o seu pensamento; não sem antes se interrogar como um filósofo de consequências e actos deliberados. Hasteou a bandeira da sua existência no seu pensamento concreto por opção própria e por vivências que curtas ainda eram. Hospedou nele o raciocínio daquilo que ainda não se via mas que estava presente nos olhos de todos: a gravidade, a mecânica e a matemática das coisas que estão ao pé dos homens, ignoradas aos olhos de Deus. Homem de objectivos, Newton passou a conhecer, nesse período entre 1665 e 1666, tudo o que ainda ninguém ousara conhecer de forma tão aprofundada e clarificada, excepto Galileu Galilei que experimentou tudo, viu tudo e captou a atenção de todos; até de Deus, excepto que o italiano Deus é diferente dos outros. Homenageando assim esse homem que morrera para que nascesse, Newton, com apenas 24 anos, já era um brilhante físico, matemático, cientista e, muito importante, agricultor. Historiadores, porém, não confirmam o episódio mais famoso da sua vida, que supostamente acontecera durante estes Anni Mirabiles de 1665-1666: a maçã que lhe caíra na cabeça e a inspiração que esse acontecimento lhe proporcionara para investigar e descobrir os fenómenos adjacentes à atracção gravítica entre os corpos.
Há nestes dois anos uma intensa actividade intelectual, auxiliada principalmente pelos factores determinante do seu isolamento: peste e pessoas, e embora as duas se confundam, penso que as pessoas são a principal causa dos afastamentos sociais. Houve neste inglês uma repulsa pela sociedade daquele tempo que, obviamente, não o compreendia, resultando num auge cognitivo, numa afirmação ideológica e criação científica.

Hoje, portanto, interrogo-me acerca da verdadeira essência do cogito: será o isolamento a única opção? Haverá na interacção social um motor que favoreça o pensamento e criação de ideologias e novidades? Honrarei sempre a experiência social com a experiência intelectual, penso que se complementam e a última fornece à novidade um motor de expansão social.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Festa de aniversário

Em tempos estavam todos comigo.
Tinham o bolo guardado
e velas postas de lado,
numa alegria contínua.
Era tudo brincadeira.
Vinham então à minha beira:
Que crescido estás! Quantos faz?

Mas eu dizia que era da bebedeira
a queda que fingia,
para que se rissem.
Ou para que assim vissem
que o rapaz por fora crescia
mas a criança permanecia
na brincadeira doce e tenra.

Hoje poucos me vêem.
O bolo permanece,
mas a alegria retrocessa.
Tiraram-me dias e anos.
Tiraram-me gentes que antes
viam o rapaz no centro da mesa
a sorrir e a soprar... Só a soprar...

Oh identidade divina,
que faço eu comigo próprio?
Com que brinco agora
que perdi o brinquedo?
Tenho a idade de brincar,
nunca antes quis mais.
Ah! Soubesse eu naquela hora!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Decomponibilidade da vida

O tempo é perdição.
Nele vivemos.
Dele memórias guardamos.
E tudo o que recebemos
é um leve passar de anos,
que nos leva para longe
do que hoje somos.

Passa tão leve.
(Já lá vai! Já lá foi!)
Nada deixa nada,
tudo vai e já não vem:
As ideias que em mim contém,
os jovens de hoje que nem
amanhã serão filhos de alguém.

Já passou, foi em vão.
Aprendemos a viver,
esquecemos a vida.
Então vemos que nada
é nada. Somente isso: nada.
O que é tudo, nada vai ser,
porque ele passa sem querer.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Faz-me sonhar

Faz-me sonhar.
Se não me poderes
fazer sonhar,
deixa para ti 
os teus sonhos.

Ou dá-os ao teu amor.
Se não for eu o
teu amor, deixa-me
ao menos os teus
sonhos de amar.

Se me deres isso,
dás-me a vontade
de te querer dar
o amor que sonho:
Em campos de
papoilas vermelhas,
dois encarnados
corações dão as
mãos e sonham
em amar, deitados
no chão, a rebolar,
como duas crianças
que amam a brincar.
Inspirado em Álvaro de Campos

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Costumes

O branco ocupa a parte funcional do meu pensamento, completando um jardim outonal de ignorantismo oblíquo. As palavras são escassas, o tempo inútil, a razão aborrecida e a realidade deambulante. Os sucessivos acréscimos de ideias incompletas tornam-me numa máquina sentimental, semelhante a qualquer outra que através de engrenagens e engenhos mecânicos realiza uma função orgânica e estrutural, e tudo o que me sobra é uma amplificação enumerativa de pensamentos. 

Se a filosofia fosse empresa, então tudo o que a complementa seria lógico como uma linha de produção automática que vê no tempo um ciclo periódico de entrega de produto. Mas não. Comigo a rotina rompe-se na sua origem, na sua essência imperativa. Idealizá-la seria romper o sentido coerente da sua concepção, uma rotina incomum fora da literatura que se anula num oxímoro pertinente e a mim associável. Raciocinar não faz parte de um hábito porque um hábito requer instintos baseados em indicações extrínsecas a nós.
Romper o ódio e incentivar o amor é parte da rotina social: erróneo e paradoxal, afirmo com prontidão. O ódio gera discussão, gera mudança e instabilidade, gera contra-hábitos simultâneos a uma ideia de dever cumprido. Rotinas é o que em maior quantidade existe. Com espontaneidade conquistaremos o mundo, ou a parte interessante dele.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Sentir tudo

Não posso escrever sem especificar
que o que sinto é exterior a quaisquer
realidades que ao coração se queiram fincar.
É objecto que assombra o dilatado Ser concreto
inventor de palavras magníficas, que representam
tudo menos a razão inerente ao objecto.

É um pêndulo pesado que pesa mais que
ele próprio. Vai repetido de sangue esforçado
e volta limpo pelo sucesso garantido. Sobe
pelo mesmo caminho que desce, num vai-vem
entre o real e a imaginação que ninguém
entende mas que todos percebem.

Pode ser um relógio que num tique-taque
atormentado pelo tempo se julga dono
do mesmo, que cessa por um ataque
de fase que o faz sofrer mais e pingar
na folha vazia tinta negra, repleta de tudo
o que o mundo sente e quer para não parar.

Assim sinto-me eu: fechado por situações reais
e infinitas, que não pedem explicação,
mas que eu insisto em criar perturbação
necessária. Porque no infinito me sinto a mais
e no finito não me sinto, procuro então, entre
aquilo a que chego e o inalcançável, o coração.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Ensaio sobre o futuro - REMAKE!

Oi migos!
Hoje, em comemoração da XLIII publicação do "Vou Escrever um Blog", dirigir-me-ei aos fantásticos leitores num registo mais informal e abandalhado. Regressarei também às origens remotas deste blogue e escreverei uma nova versão do "Ensaio sobre o futuro". Será portanto um "ensaio sobre o futuro v2.0" ou, se preferirem, um "Ensaio sobre o futuro, no futuro". Fica ao vosso critério.

De uma coisa tenho a certeza: o Futuro é um preguiçoso sem medida, visto que está sempre a adiar a sua vinda. Ainda ontem disseram que vinha hoje e o maroto afinal só vem amanhã! Uma pessoa nunca sabe quando é que ele chega, nunca marca uma data nem um sitio para se encontrar connosco... Muito menos sabemos onde raio é que esse patife está metido! Se fosse minimamente educado falava connosco. Ora agora parece que se escondeu e não quer ser encontrado. É antissocial, só pode. No entanto, preocupamo-nos imenso com ele mesmo sabendo que o gajo é um velhaco e não quer saber de nós.
Sabem quem é que é um tipo porreiro? É o Passado, claro! É um gajo impecável, completamente nosso amigo, aliás, até nos alerta para os erros que cometemos com ele para não agirmos de modo semelhante para com o Futuro - esse c*brão. E nós, mal agradecidos, tentamos sempre esquecer o Passado, não lhe agradecemos e queremos vê-lo pelas costas o mais rapidamente possível. Alguns até dizem que fez sofrer imensas pessoas e é o responsável pela eventual má disposição do Futuro. Mas não, este amigalhaço não tem a culpa da nossa estupidez e irresponsabilidade. Aliás, ele até nos alerta: "Olha meu caro, tu não agiste muito bem quando arrebentaste com duas cidades, meu amigo. Se calhar era melhor não voltares a fazer isso!" e nós respondemos "Vá esquece lá isso e pira-te daqui que vou pensar no teu assunto.". Isto é má criação da nossa parte. Será que as nossas mães estariam orgulhosas se soubessem que tratamos tão mal alguém que nos quer bem? Duvido imenso.

Voltando ao tema inicial.
Tal como tentei imperfeitamente metaforizar, considero que o passado nos pode ser imensamente útil na concretização do futuro. Pode-se aproveitar tudo o que realizamos em tempos anteriores, especialmente os acontecimentos negativos, para que estes não se voltem a realizar nos tempos que estão para vir. Porém, o negativismo adjacente ao futuro justifica-se com o momento que vivemos, com o que nós, sociedade, andamos a fazer no que chamamos "presente".
Crescem cada vez mais as sensibilizações relativas à preservação do meio natural e respeito pelas gerações vindouras, mas o que conta é a acção global, um efeito massivo, para que resultados se notem nos diferentes sub-sistemas terrestres.
Nós, os ocidentais, crescemos com abundante água potável. Contrariamente, os meninos da África subsariana deparam-se com um escassez crescente de água própria para consumo. A desidratação adjacente provoca uma das mais dolorosas mortes possíveis. Imaginem cada célula do vosso corpo a contrair-se radicalmente, até que as suas membranas rompam. Podemos mudar isto, podemos juntar forças para que no futuro isto se altere.
Tudo depende do presente e o presente somos nós.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Natureza

As folhas verdes agitam-se no jardim.
Toda a Natureza fria e desanimada
está em mim contida, difundida num
Ser que por sentir se aflige mediocremente.

No exterior do meu recolho permanece o ânimo
que perambula tão distante desta entidade escondida,
criada para empunhar o inútil e desagradável:
pretendo idealizar a árvore perfeita com fruto saboroso.

Pudesse eu perder a verdura fresca que me afeta.

Como te desejo, tarde serena. Em ti correr
alegre, despreocupado. Encher-me de sol e paixão,
procurar a rocha da ambição escondida no querer
adquirir a virtude interminável e encher-me de poder.

Interrogo-me como um filósofo, mas procuro a verdade
acima de todas as coisas inalcançáveis. Por perder
a Existência, derrubo-me interminavelmente.
Por pura coesão ideológica, quero investigar a Natureza.