Não vamos fazer de conta que estamos felizes com o estado actual da situação.
Mas também não iremos remeter-nos ao silêncio conformista.
As coisas estão más, sim. Mas não estão péssimas.
É difícil ver por entre a escuridão que nos encobre,
Mas por vezes é do bater do coração que nasce qualquer ténue forma de luz.
Por vezes é das razões hipotéticas - que não sabemos sequer se existem -
Que origina uma força tremenda, quais tarefas infinitas rendidas à sua acção.
É difícil não vomitar quando tudo à nossa volta é podridão.
É dos "por vezes" que nunca acontecem que a nossa vida continua um dia de cada vez.
"Todos necessitamos de algo para nos agarrar."
Menos Nietzsche - mas ele tinha a filosofia.
Menos Deus-ele-próprio - mas ele tem a sua criação.
Menos o Homem como colectividade - mas ele tem o planeta, do qual fez casa.
Menos os animais e a Natureza - mas esses não precisam, por isso têm a desnecessidade.
Não vamos fazer de conta que estamos felizes com o estado actual da nossa consciência.
Querer definir relações entre as coisas do mundo físico e da realidade metafísica
É desempenhar a função dos filósofos - esses que só queriam experimentar o sabor
De serem deuses por um bocadinho, num tempo que nem eles conseguiam definir.
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
domingo, 19 de junho de 2016
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Poema das rosas que te quis oferecer
Foram seis as rosas que te quis oferecer;
Foram seis rosas as que deixaste morrer.
Assim como essas, também eu fiquei
Frágil e quebradiço, fingindo que amei.
Não há pretéritos perfeitos no amor.
Se fossem perfeitos não fingia que te amava.
Foram seis rosas as que deixaste morrer.
Assim como essas, também eu fiquei
Frágil e quebradiço, fingindo que amei.
Não há pretéritos perfeitos no amor.
Se fossem perfeitos não fingia que te amava.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Nádia
Nada nem ninguém extingue o amor que
Pelo teu dócil homem guardas no coração.
Nádia nasceste e para o amor és serva -
Mas ele tornou-te severamente cega.
Antigamente juravas em lágrimas e oração
Que nunca te apanhariam prisioneira na vida.
Hoje em dia, Nádia, não acordas e estás sentida!
As lágrimas são de dor - não de amor, Nádia!
Amanhã serás velha. Cansada e gasta - uma lástima.
Terás rugas e não serás atraente - e o amor?
Onde estará ele, esse que chamas amor?
Nádia - não deixes a tua vida para a última...
Só que se já vives com alguém, e te sentes
Bem, valerá convenceres-me que mentes?
Pelo teu dócil homem guardas no coração.
Nádia nasceste e para o amor és serva -
Mas ele tornou-te severamente cega.
Antigamente juravas em lágrimas e oração
Que nunca te apanhariam prisioneira na vida.
Hoje em dia, Nádia, não acordas e estás sentida!
As lágrimas são de dor - não de amor, Nádia!
Amanhã serás velha. Cansada e gasta - uma lástima.
Terás rugas e não serás atraente - e o amor?
Onde estará ele, esse que chamas amor?
Nádia - não deixes a tua vida para a última...
Só que se já vives com alguém, e te sentes
Bem, valerá convenceres-me que mentes?
terça-feira, 24 de maio de 2016
Matilde
Matilde, filha de Mafalda e Infanta de Portugal,
O país viste nascer e teu pai bélico conquistar.
No século doze não se avistava de Coimbra o mar,
Mas graças à força que deste ao rei-teu-pai ancestral,
Mais cidades houve abaixo do Tejo, mais riqueza
Vimos nascer, mais mouros acabaram por morrer.
Matilde, eras princesa pequena e sem certeza
Quando se formou a terra dos poetas sem-querer.
Hoje, Matilde, vês o mundo no alto das luzes.
Respeitar a tua perspetiva ensina o mais persistente
Homem a vangloriar o teu sincero coração radiante,
Muda conjuntos de pensamentos e cria filosofias -
Porque és Matilde encarnada na estética e metafísica,
Mas com uma juventude inocente que nunca acabará.
O país viste nascer e teu pai bélico conquistar.
No século doze não se avistava de Coimbra o mar,
Mas graças à força que deste ao rei-teu-pai ancestral,
Mais cidades houve abaixo do Tejo, mais riqueza
Vimos nascer, mais mouros acabaram por morrer.
Matilde, eras princesa pequena e sem certeza
Quando se formou a terra dos poetas sem-querer.
Hoje, Matilde, vês o mundo no alto das luzes.
Respeitar a tua perspetiva ensina o mais persistente
Homem a vangloriar o teu sincero coração radiante,
Muda conjuntos de pensamentos e cria filosofias -
Porque és Matilde encarnada na estética e metafísica,
Mas com uma juventude inocente que nunca acabará.
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Antibes à noite
Dois homens, pescando no breu,
Com lamparinas fracas chamam ao isco o peixe.
Agachado no barco, um alcança a água
Com um fio curto, qual dificuldade é pescar quando nada se vê.
O outro, com uma forquilha de quatro dentes,
Tenta dissimular um peixe gordo que, curioso, veio ao cimo da água.
Peixe - essa tua fuga ao que és te condenou à fogueira.
Mosquitos e traças compõem a atmosfera envolvente,
O que seria de esperar, porque a noite tem distúrbios naquele lugar.
As traças não incomodam os homens, que para a tarefa de apanhar
Algum peixe decente, têm de se imaginar eles-próprios peixes.
E os mosquitos são temporários - a fome é perpétua.
Na margem, duas moças. Uma, de bicicleta em punho
Saboreia um sensual gelado chamativo.
Os pescadores ignoram. Gelado, corpo de mulher? Isso não é pesca.
A outra, de delgada figura, pousa acenando aos homens e sua arte.
Quem são estas mulheres?
Quem são estes pescadores?
O do arpão prestes a concluir a sua tarefa?
O da linha, abaixado, com dificuldade em ver os peixes?
Será um o presente e o outro o passado?
A mulher do gelado é a tentação? A mulher fina a resolução?
Não se sabe.
Apenas que à beira de Antibes estão dois pescadores pescando na noite
E duas mulheres pescando a noite na vila fantasmagórica.
(Mais informação e obras de Picasso no Artsy)
sexta-feira, 13 de maio de 2016
Metade da cidade
Confortável, no jardim central da cidade,
É possível olhar panoramicamente
Para a tristeza generalizada daquele lugar.
O velho moribundo pedindo na rua em frente;
O cheiro nauseante do aterro descoberto ao lado;
Do outro, o centro de negócios engravatado.
O engenheiro milionário, no seu carro eléctrico,
Tira uma fotografia ao que lhe convém.
Sai do carro apressado, à espera está o cliente e
Murmura para o sr. dr: "olhe que bem!".
Dá início ao negócio; trezentos milhões naquele encontro.
Mas o velho em frente, fazendo o que pode,
Dá milho aos pombos, sorridente.
Ele era o engenheiro do negócio que nunca surgiu.
É possível olhar panoramicamente
Para a tristeza generalizada daquele lugar.
O velho moribundo pedindo na rua em frente;
O cheiro nauseante do aterro descoberto ao lado;
Do outro, o centro de negócios engravatado.
O engenheiro milionário, no seu carro eléctrico,
Tira uma fotografia ao que lhe convém.
Sai do carro apressado, à espera está o cliente e
Murmura para o sr. dr: "olhe que bem!".
Dá início ao negócio; trezentos milhões naquele encontro.
Mas o velho em frente, fazendo o que pode,
Dá milho aos pombos, sorridente.
Ele era o engenheiro do negócio que nunca surgiu.
sábado, 23 de abril de 2016
Luísa
A Luísa é difícil de explicar...
Um tanto doce, suavemente vive.
Tem imenso para ao mundo dar
Ao saber as angústias que tive.
Luísa de porcelana frágil:
O teu físico quebradiço é magistral,
Embora tua mente rápida e ágil.
Luísa: no teu coração não encontro mal.
Mas ao ver-te dar corda ao relógio,
Aquele que na vida só pára duas vezes,
Talvez me caia uma lágrima breve -
Não de tristeza mas de esperança -
Porque tens em perfeita balança
A vida e a necessidade de viver.
Um tanto doce, suavemente vive.
Tem imenso para ao mundo dar
Ao saber as angústias que tive.
Luísa de porcelana frágil:
O teu físico quebradiço é magistral,
Embora tua mente rápida e ágil.
Luísa: no teu coração não encontro mal.
Mas ao ver-te dar corda ao relógio,
Aquele que na vida só pára duas vezes,
Talvez me caia uma lágrima breve -
Não de tristeza mas de esperança -
Porque tens em perfeita balança
A vida e a necessidade de viver.
domingo, 17 de abril de 2016
Estas manhãs de domingo de quando eu era pequenino
É um domingo de manhã.
Eu, menino, levanto-me para ir à missa.
O sol radia pelo quarto,
Tudo está claro no espaço luminoso.
Do quarto à cozinha distam dois corredores,
Quais atribuo a designação por os completar a correr.
Na cozinha já está o guisado ao lume,
Por ser domingo e pelo dia ser característico
Do almoço especial - comida mais saborosa para
O doce paladar de uma criança.
Este é o cheiro característico deste dia.
Este sol pertence aos domingos - aos meus domingos.
Esta pressa que a mãe me incute porque já está
Quase na hora da missa é coisa típica de domingo.
Estas manhãs de domingo de quando eu era pequenino.
Embarcávamos no carro e seguíamos para a missa.
A família no carro - o carro com intenções divinas.
Na capela ouvia o padre, as velhas nas leituras,
As outras pessoas a ouvirem o padre.
Observava o ambiente, buscava os meus amigos.
Deus estava lá - Deus era eu a fazer isto tudo.
Deus não era a palavra do padre, não eram as leituras.
Deus era uma criança a ir à missa, porque ia à missa a brincar.
Deus não era coisa de adultos sérios ou padres jovens intelectuais.
Era eu estar lá a pensar em ir brincar com os amigos à porta da capela, no fim da missa.
Findada a missa e a brincadeira, Deus ficava lá quietinho
E até para a semana, se Deus quiser.
Era altura de ir ao café.
Para o pai, café forte;
(Não necessariamente forte o conteúdo da chávena,
Mas aos meus olhos era o necessário)
Para a mãe, café cheio;
Para mim, o que calhasse - mas tinha que ser doce.
E a minha mente olhava para o doce e nada mais.
Em casa, o guisado devia de estar feito.
Cheirava bem, e era só.
A refeição acabava e a única grande preocupação
Era a escola que sucedia desse o ponteiro a volta ao relógio.
Era simples.
Como este poema.
Eu, menino, levanto-me para ir à missa.
O sol radia pelo quarto,
Tudo está claro no espaço luminoso.
Do quarto à cozinha distam dois corredores,
Quais atribuo a designação por os completar a correr.
Na cozinha já está o guisado ao lume,
Por ser domingo e pelo dia ser característico
Do almoço especial - comida mais saborosa para
O doce paladar de uma criança.
Este é o cheiro característico deste dia.
Este sol pertence aos domingos - aos meus domingos.
Esta pressa que a mãe me incute porque já está
Quase na hora da missa é coisa típica de domingo.
Estas manhãs de domingo de quando eu era pequenino.
Embarcávamos no carro e seguíamos para a missa.
A família no carro - o carro com intenções divinas.
Na capela ouvia o padre, as velhas nas leituras,
As outras pessoas a ouvirem o padre.
Observava o ambiente, buscava os meus amigos.
Deus estava lá - Deus era eu a fazer isto tudo.
Deus não era a palavra do padre, não eram as leituras.
Deus era uma criança a ir à missa, porque ia à missa a brincar.
Deus não era coisa de adultos sérios ou padres jovens intelectuais.
Era eu estar lá a pensar em ir brincar com os amigos à porta da capela, no fim da missa.
Findada a missa e a brincadeira, Deus ficava lá quietinho
E até para a semana, se Deus quiser.
Era altura de ir ao café.
Para o pai, café forte;
(Não necessariamente forte o conteúdo da chávena,
Mas aos meus olhos era o necessário)
Para a mãe, café cheio;
Para mim, o que calhasse - mas tinha que ser doce.
E a minha mente olhava para o doce e nada mais.
Em casa, o guisado devia de estar feito.
Cheirava bem, e era só.
A refeição acabava e a única grande preocupação
Era a escola que sucedia desse o ponteiro a volta ao relógio.
Era simples.
Como este poema.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Deus está morto?

Deus é uma teologia à parte.
Nietzsche é uma parte da teologia.
Em cinquenta anos nada se acrescentou
À pergunta inaugurada pelo filósofo alemão.
Em séculos passados - mais de vinte -
Ninguém perguntou a questão.
Quem perguntava era silenciado.
Portanto ninguém, em registo oficial, quis saber.
Excepto a humanidade inteira.
Excepto o Homem que vem antes de Deus.
Excepto os juízes da Inquisição que ardem no Inferno
E os Papas que para lá seguiram.
Enfim - a doutrina mudou.
(E os dogmas, como são esses?)
Os Papas sentam-se no trono e morrem.
Todos os filósofos são Deuses
E Deus é um mero filósofo.
Ou será que o Homem não escreveu sobre isso?
Sinceramente, todo este tema é aborrecido,
Só que há perguntas que têm de ser feitas.
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Tiros de pólvora seca
A origem da desilusão humana reside num único culpado.
É o Homem.
Dizem que somos um ser social, que precisamos dos outros para viver.
Precisamos de uma família que nos acolhe na infância;
De professores para nos prepararem para a vida adulta.
De amigos para mantermos a calma e a sanidade
E de alguém especial para procriarmos e sentirmos "amor".
"Amor". Não - julgo que não necessitamos disso.
Necessitamos de saúde para nos mantermos vivos e confortáveis no mundo.
Precisamos de livros e Internet para sabermos mais coisas sobre o mundo.
Água, comida, estado social, políticos honestos...
Mas "Amor"? Essa coisa?
Não.
A origem da desilusão humana reside num único culpado.
É o "Amor".
quinta-feira, 24 de março de 2016
Contrastes do amor
O amor é ter cócegas na barriga -
O amor é ter uma robustez anormal.
O amor é obsessão e intriga -
O amor é respeito e não querer mal.
O amor é uma doença peganhosa -
O amor é uma saúde infinita.
O amor é uma lágrima saudosa -
O amor é largar a paixão bendita
O amor é agarrar firmemente -
O amor é deixar ir finalmente.
E enquanto não se estudar o amor
Ele existirá no mundo ao natural.
Será por ilustres pensadores abrandado;
Pobres camponeses, esses, catalisadores.
Quem quer saber mais do que sente
Nunca sentirá senão o que finge saber.
O amor é ter uma robustez anormal.
O amor é obsessão e intriga -
O amor é respeito e não querer mal.
O amor é uma doença peganhosa -
O amor é uma saúde infinita.
O amor é uma lágrima saudosa -
O amor é largar a paixão bendita
O amor é agarrar firmemente -
O amor é deixar ir finalmente.
E enquanto não se estudar o amor
Ele existirá no mundo ao natural.
Será por ilustres pensadores abrandado;
Pobres camponeses, esses, catalisadores.
Quem quer saber mais do que sente
Nunca sentirá senão o que finge saber.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Joana
Olá, Joana. Olá.
Já te vi na televisão,
No jornal e na festa de S. Julião.
Não me pareces nada má.
Tens graça - graçinha.
Sorriso côncavo, olhos convexos.
Todo o físico em ti é diminutivo
E tudo o que dizes te eleva.
Joana, qual análise desnecessária.
Simples, bela, eficazmente existes.
E basta isso. Não dependes da razão diária.
Joana parece tão ela-própria,
Tão normal e comum - e comum e normal,
Que nem damos pelo sufixo fatal.
Já te vi na televisão,
No jornal e na festa de S. Julião.
Não me pareces nada má.
Tens graça - graçinha.
Sorriso côncavo, olhos convexos.
Todo o físico em ti é diminutivo
E tudo o que dizes te eleva.
Joana, qual análise desnecessária.
Simples, bela, eficazmente existes.
E basta isso. Não dependes da razão diária.
Joana parece tão ela-própria,
Tão normal e comum - e comum e normal,
Que nem damos pelo sufixo fatal.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Inês
És um milagre - divina, linda.
Embebida num abraço fraterno entre lágrimas,
Vislumbras com pureza adquirida
A tua brilhante vida, essa de emoções antigas.
Enches-me a barriga de borboletas.
Sim - não se explica de outra maneira.
Quando explicações cessam, nem que queiras,
Não se pode definir o que se sente com letras.
És Inês. Inês-personificação-de-beleza.
És a inteligência sagaz e a sensualidade em balança.
E eu, com uma perseverança que não cansa,
Lembro-te com uma magistral destreza;
E hei-de recordar com saudade
Os nossos dias de tenra idade.
Embebida num abraço fraterno entre lágrimas,
Vislumbras com pureza adquirida
A tua brilhante vida, essa de emoções antigas.
Enches-me a barriga de borboletas.
Sim - não se explica de outra maneira.
Quando explicações cessam, nem que queiras,
Não se pode definir o que se sente com letras.
És Inês. Inês-personificação-de-beleza.
És a inteligência sagaz e a sensualidade em balança.
E eu, com uma perseverança que não cansa,
Lembro-te com uma magistral destreza;
E hei-de recordar com saudade
Os nossos dias de tenra idade.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Helena
Ó antiga cena helénica metódica:
Conquistaste além-balcãs
Mil milhões de poetas melódicos,
Embebedaste poderosos imãs
E reis ocidentais tomaram por clássico
A tua força de ambiente catártico.
És quinhentista e milenar pré-divina,
Com deuses e conquistas sem carabina.
Ó nação entristecida, desorganizada
E pela Europa inteira pisada.
Seguraste os quispos ideológicos
Desta nova União poderosa
E esses antigos impérios lógicos
Te fizeram Helena lacrimosa.
Conquistaste além-balcãs
Mil milhões de poetas melódicos,
Embebedaste poderosos imãs
E reis ocidentais tomaram por clássico
A tua força de ambiente catártico.
És quinhentista e milenar pré-divina,
Com deuses e conquistas sem carabina.
Ó nação entristecida, desorganizada
E pela Europa inteira pisada.
Seguraste os quispos ideológicos
Desta nova União poderosa
E esses antigos impérios lógicos
Te fizeram Helena lacrimosa.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta
Entre fumos psicóticos e líquidos de evaporação rápida,
Ele senta-se para escrever qualquer coisa sob a ampla janela.
Desvia o olhar para cima durante dois segundos e contempla.
É a rua de sempre, preenchida pelas pessoas de sempre.
É sobre isso que vai escrever e o seu coração
Cruza-se como as linhas da calçada.
A mansarda está fechada; é domingo de manhã.
Se existisse naquele estúdio alguma vista para o céu,
Que mística universal poderia o poema conter?
Mas é a imaginação que reina e que faz os homens tremer.
As pessoas lá fora são previsíveis: ninguém se desamarra
Da rotineira pressa ou do inevitável consumo dos vícios
Urbanos que tão bem empregam o dono da Tabacaria habitual.
À porta, os clientes param dez ou vinte segundos para acender
O cigarro: o primeiro daquela nova viagem de pacote a estrear.
Uma ou duas tentavas de combustão de fósforo, uma degustação
Primária do fumo que não se inala e uma contemplação
Do cigarro com a ponta incandescente por inteiro.
Acena o poeta a este! Ora lá vai mais um de parecenças!
É a vida moderna - assente naqueles lugares que bem conhece.
Mas a vida movimentada e previsível só dá acaso à análise
Se esta última for percebida do lado de dentro,
Enquanto sentado à beira da janela e rabiscando algumas estrofes.
As imagens que escreve de acordo com as helénicas ou românicas
Divindades, ora nefastas porque lhe é quebrado o ritmo, ora nobres
Porque assentam num crescendo literário, são apenas imagens
De um livro sem ilustrações para o qual só nasceu o Poeta
Observador da Tabacaria defronte na rua.
Ele senta-se para escrever qualquer coisa sob a ampla janela.
Desvia o olhar para cima durante dois segundos e contempla.
É a rua de sempre, preenchida pelas pessoas de sempre.
É sobre isso que vai escrever e o seu coração
Cruza-se como as linhas da calçada.
A mansarda está fechada; é domingo de manhã.
Se existisse naquele estúdio alguma vista para o céu,
Que mística universal poderia o poema conter?
Mas é a imaginação que reina e que faz os homens tremer.
As pessoas lá fora são previsíveis: ninguém se desamarra
Da rotineira pressa ou do inevitável consumo dos vícios
Urbanos que tão bem empregam o dono da Tabacaria habitual.
À porta, os clientes param dez ou vinte segundos para acender
O cigarro: o primeiro daquela nova viagem de pacote a estrear.
Uma ou duas tentavas de combustão de fósforo, uma degustação
Primária do fumo que não se inala e uma contemplação
Do cigarro com a ponta incandescente por inteiro.
Acena o poeta a este! Ora lá vai mais um de parecenças!
É a vida moderna - assente naqueles lugares que bem conhece.
Mas a vida movimentada e previsível só dá acaso à análise
Se esta última for percebida do lado de dentro,
Enquanto sentado à beira da janela e rabiscando algumas estrofes.
As imagens que escreve de acordo com as helénicas ou românicas
Divindades, ora nefastas porque lhe é quebrado o ritmo, ora nobres
Porque assentam num crescendo literário, são apenas imagens
De um livro sem ilustrações para o qual só nasceu o Poeta
Observador da Tabacaria defronte na rua.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
O fim do início
Onde estou a esta hora?
Que questão incoerente.
O que causa esta demora
E não me deixa contente?...
Se tudo acabar?... tudo um dia acaba.
Mas isso é inoportuno, digamos.
Nem o mais ardente vinho trava
Os dias passados; certos e insanos.
Mas tudo é oportuno...
Escrever é uma brincadeira de criança:
Acaba sempre por crescer para algo maior.
E por vermos e notarmos
Essa metamorfose,
Sou triste e não mato nenhum génio.
Que questão incoerente.
O que causa esta demora
E não me deixa contente?...
Se tudo acabar?... tudo um dia acaba.
Mas isso é inoportuno, digamos.
Nem o mais ardente vinho trava
Os dias passados; certos e insanos.
Mas tudo é oportuno...
Escrever é uma brincadeira de criança:
Acaba sempre por crescer para algo maior.
E por vermos e notarmos
Essa metamorfose,
Sou triste e não mato nenhum génio.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Ser grande e grandioso é virtude de ser pequeno numa área também ela pequena
Perdi a vontade de não escrever.
Soltou-me. Estou livre agora!
Como uma máquina, maquineio
Deveras directamente o teclado.
Teclado que outrora era mecânico.
E agora há-os mecânicos novamente.
Mas não pensem que fazem escrever
Melhor ou dirigir os pensamentos
De modo mais abstracto na folha web.
São só modos de construção diferentes.
São só resultados de pensamentos diferentes;
Para pessoas existencialmente diferentes;
Que querem coisas diferentes e que, enfim,
Diferem em todas as semelhanças.
Não há mal em querer coisas diferentes.
Na História, todos os progressos começam
Quando outro diferente acaba.
Assim se evolui. Diferencialmente.
O paradigma mata a concepção.
O dogma mata a ideia renovada.
O filho de outrora será o pai do amanhã.
O Amanhã é filho do futuro recente.
E ninguém, só Deus - nem Deus,
Sabe o que existiu ontem.
Jamais o que existirá amanhã.
Soltou-me. Estou livre agora!
Como uma máquina, maquineio
Deveras directamente o teclado.
Teclado que outrora era mecânico.
E agora há-os mecânicos novamente.
Mas não pensem que fazem escrever
Melhor ou dirigir os pensamentos
De modo mais abstracto na folha web.
São só modos de construção diferentes.
São só resultados de pensamentos diferentes;
Para pessoas existencialmente diferentes;
Que querem coisas diferentes e que, enfim,
Diferem em todas as semelhanças.
Não há mal em querer coisas diferentes.
Na História, todos os progressos começam
Quando outro diferente acaba.
Assim se evolui. Diferencialmente.
O paradigma mata a concepção.
O dogma mata a ideia renovada.
O filho de outrora será o pai do amanhã.
O Amanhã é filho do futuro recente.
E ninguém, só Deus - nem Deus,
Sabe o que existiu ontem.
Jamais o que existirá amanhã.
sábado, 17 de outubro de 2015
Num estado febril
As noivas de Outubro não se sentem bem.
São mais gordinhas que as antecedentes
Porque se arrecadam mais tarde na noite.
Num estado febril.
Chega a Primavera antecessora e choram,
Convulsionando os parceiros delgados.
Que ai deles que deixem passar o Verão!
E assim comem mais.
E quantas arritmias lhes estão destinadas?
Porque um homem pensa é nisso...
E quantos sorrisos se encravarão no papo grosso?
Será que o sapato de Cinderela casamenteira caberá?
Por fim se faz Dezembro e tudo passa porque é Natal.
São mais gordinhas que as antecedentes
Porque se arrecadam mais tarde na noite.
Num estado febril.
Chega a Primavera antecessora e choram,
Convulsionando os parceiros delgados.
Que ai deles que deixem passar o Verão!
E assim comem mais.
E quantas arritmias lhes estão destinadas?
Porque um homem pensa é nisso...
E quantos sorrisos se encravarão no papo grosso?
Será que o sapato de Cinderela casamenteira caberá?
Por fim se faz Dezembro e tudo passa porque é Natal.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
O que é bom é não ter opiniões em nada
O que é bom é não ter opiniões em nada.
Andar aborrecido com tudo.
Viver de acordo com a atitude inerte
De quem viveu uma vida parada
E apareceu sempre com cara de sisudo.
Quem viveu assim não se livrou da morte.
Mas que falta lhe fez as opiniões
Se viveu e foi feliz?
Talvez não fosse tanto assim.
Os conceitos de "feliz" são as considerações
De velhos estudiosos. Ufa! Foi por um triz!
É que lembrar definições deixa impacto em mim.
Assim posso continuar a viver descansado.
Serei assim ou assado?
Quem o saberá? Eu não serei.
Ninguém me vê como rei
E só eu me sinto como sou.
Espera por mim, inércia, que já vou!
Andar aborrecido com tudo.
Viver de acordo com a atitude inerte
De quem viveu uma vida parada
E apareceu sempre com cara de sisudo.
Quem viveu assim não se livrou da morte.
Mas que falta lhe fez as opiniões
Se viveu e foi feliz?
Talvez não fosse tanto assim.
Os conceitos de "feliz" são as considerações
De velhos estudiosos. Ufa! Foi por um triz!
É que lembrar definições deixa impacto em mim.
Assim posso continuar a viver descansado.
Serei assim ou assado?
Quem o saberá? Eu não serei.
Ninguém me vê como rei
E só eu me sinto como sou.
Espera por mim, inércia, que já vou!
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Furiosamente escrevo dois ou três versos
Furiosamente escrevo dois ou três versos.
Paro contemplativo e ambiciono o dobro.
"Talvez esteja bom assim, não tem rima mas está bom."
E para me ajudar, uma sala escura embainhada
Na luminosidade que o ecrã transborda.
Esses versos iniciais eram sobre o quê?
Sobre um ministro do leste corrupto que tinha
A filha doente? Ou sobre o amor parvo e ardente?
Sobre o céu decadente que se abriu hoje em enxurrada?
Sobre Deus e as razões de tudo isto existir?
Sei só que eram furiosos; maquinalmente arquitectados.
Com compasso e régua, que são a ponta dos dedos no laptop,
E sem um dicionário de sinónimos pertinente,
Escrevo o que devo escrever que é o que não quero sentir.
Sinto muito quando não estou a jeito de pegar na escrita.
Escrevo muito quando não estou afim ao pensamento.
E tudo isso é lixo caótico e irresponsável.
Tudo isso é uma folha amarrotada e arremessada
Sem sucesso ao lixo diagonal à minha posição;
Tal como é oblíqua a matéria da escrita composta e confusa.
Levanto-me. Recordo-me dos versos de abertura automática
E recupero o papel amachucado. A caneta afinal é digital
E a folha não tem um significado físico, somente electrónico.
A electricidade flui compadecida pela electricidade que flui
Nos meus neurónios ímpetos, ora o design da primeira é
Por esta última desenhado, testado e, se tudo correr bem, aprovado.
Voltemos àquela sextilha de imagens entre digital e analógico.
Há quem apenas confie no analógico que guarda tudo afastado
Dos grandes centros de dados e da acessibilidade facilitada.
Mas eu não. Compreendo criptografia electrónica e guardo tudo
Neste sítio composto de unidades e nulidades - bits e words - e
Daí para a frente é sempre a exponenciar o potencial expoente.
Vejo-me forçado a concluir o que nem chegou a iniciar.
Vejo-me esmagado pelo tempo que ora não passa,
Ora já nem estou a pensar nisso, que há coisas consequentes.
Isto não tem consequência.
Um trabalho tem.
O mundo e as suas necessidades têm.
A única consequência disto é não definir "isto" e deixar tudo
Aos únicos cuja consequência impossível pode afectar.
Paro contemplativo e ambiciono o dobro.
"Talvez esteja bom assim, não tem rima mas está bom."
E para me ajudar, uma sala escura embainhada
Na luminosidade que o ecrã transborda.
Esses versos iniciais eram sobre o quê?
Sobre um ministro do leste corrupto que tinha
A filha doente? Ou sobre o amor parvo e ardente?
Sobre o céu decadente que se abriu hoje em enxurrada?
Sobre Deus e as razões de tudo isto existir?
Sei só que eram furiosos; maquinalmente arquitectados.
Com compasso e régua, que são a ponta dos dedos no laptop,
E sem um dicionário de sinónimos pertinente,
Escrevo o que devo escrever que é o que não quero sentir.
Sinto muito quando não estou a jeito de pegar na escrita.
Escrevo muito quando não estou afim ao pensamento.
E tudo isso é lixo caótico e irresponsável.
Tudo isso é uma folha amarrotada e arremessada
Sem sucesso ao lixo diagonal à minha posição;
Tal como é oblíqua a matéria da escrita composta e confusa.
Levanto-me. Recordo-me dos versos de abertura automática
E recupero o papel amachucado. A caneta afinal é digital
E a folha não tem um significado físico, somente electrónico.
A electricidade flui compadecida pela electricidade que flui
Nos meus neurónios ímpetos, ora o design da primeira é
Por esta última desenhado, testado e, se tudo correr bem, aprovado.
Voltemos àquela sextilha de imagens entre digital e analógico.
Há quem apenas confie no analógico que guarda tudo afastado
Dos grandes centros de dados e da acessibilidade facilitada.
Mas eu não. Compreendo criptografia electrónica e guardo tudo
Neste sítio composto de unidades e nulidades - bits e words - e
Daí para a frente é sempre a exponenciar o potencial expoente.
Vejo-me forçado a concluir o que nem chegou a iniciar.
Vejo-me esmagado pelo tempo que ora não passa,
Ora já nem estou a pensar nisso, que há coisas consequentes.
Isto não tem consequência.
Um trabalho tem.
O mundo e as suas necessidades têm.
A única consequência disto é não definir "isto" e deixar tudo
Aos únicos cuja consequência impossível pode afectar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
